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LUIZ RABELO (1)

Nasceu em Natal (Rio Grande do Norte) em 4 de março de 1921 e morreu também em Natal no dia 29 de novembro de 1996.

"Uma vida simples, consagrada à poesia." Com esta frase, o crítico literário Manoel Onofre Jr. resaltou o papel que a poesia exerceu no curso de toda a vida de Luiz Rabelo. Sua estréia nas letras se dá em 1944, com o livro de poemas Meditações. Os próximos anos assistiram ao lançamento de outros títulos de poesia, com uma única exceção: O Vigário do Conto, volume bisexto na obra do poeta, e que o revela como prosador entre o satírico e o anedótico.

Nos últimos anos, dedicou especial atenção à trova, revelando grandes dotes para esse gênero poético ligeiro.

Luiz Rabelo estudou no Ateneu Norte-rio-grandense até a quarta série ginasial. Deixou os estudos ´para ingressar na Polícia MIlitar do Estado como soldado radiotelegrafista. Seu último emprego foi o de funcionário da Fundação José Augusto, onde exerceu o cargo de diretor do Museu de Arte e História, depois Museu Casa Café Filho, ficando, em seguida, à disposição do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte.

Pertenceu à Academia Norte-rio-grandense de Letras, ao Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, à Academia de Trovas do Rio Grande do Norte, à União Brasileira de Trovadores, e deixou vários inéditos.

Ninguém melhor do que Dorian Gray Caldas definiria o poeta Luiz Rabelo no prefácio de Poemas, publicado pelo Departamento de Imprensa em 1999: "É que o poeta Rabelo por formação, absorveu outras fontes no que de melhor sentiu nos bardos castelhanos e portugueses, nos poetas clássicos, nos cantos de Os Lusíadas, nos rigores dos poetas das Arcádia, na filigrana dos parnasianos, no arrebatamento dos românticos; nas metáforas dos simbolistas. Rabelo foi o navegante de toda a extensão desse rio, como um barco (não ébrio) lúcido em busca do verdadeiro caminho ou da luz que acena (irreal) aos navegantes." E, logo adiante: "Escreveu em todas as modalidades do fazer poético; dos decassílabos aos alexandrinos, das oitavas às sextilhas, das décimas às glosas e às trovas, versos brancos livres e versos rimados metrificados. Foi e é em sua poesia um esteta."
(Deífilo Gurgel in 400 Nomes de Natal - Natal, 2000)

Obras:
Meditações - Caicó/RN, 1944
Último Canto - natal/RN, 1950
Rumos - Natal/RN 1953
Caminho dos Mortos - Natal/RN, 1961
Trovas que a Vida me Deu - Natal/RN, 1968
Os Símbolos Inúteis - Natal/RN, 1970
Troval Potiguar - Natal/RN, 1970
Antologia Poética - Natal/RN, 1982

Cântico da criação
Abres-te para mim como as portas de um templo
onde penetro e encontro o deus do amor.
Caminhas sobre labaredas de impossíveis,
transfigurada de metamorfoses.
Ah! os teus pés surgem das trevas,
mas o teu corpo é um mundo de libertação!
Ergo-me obscuro das sombras antigas do silêncio
para proclamar-te branco e puro céu
 anjos anunciam já o lúcido milagre
em que caminho do pó para a ressurreição
Aureolada de mirtos e de sonhos
trasmites ao mundo a minha ânsia da vida
Oh! Abres-te para mil como as portas de um templo
onde penetro e encontro o deus do amor!...
(Caminhos dos Mortos, 1961)

http://www.geraldo2006.com/arte4.html#Luiz_Rabelo