MANECO QUINDERÉ (1)
Manoel Castello Branco (Teresina PI 1963). Iluminador. Da segunda geração de iluminadores descendentes de Jorginho de Carvalho, Maneco Quinderé é o mais prestigiado iluminador carioca nos anos 80 e 90, transitando entre produções comercias e trabalhos experimentais. Autor da luz de Exercício nº 1, de Bia Lessa, 1987, Pérola, de Mauro Rasi, eMelodrama, de Felipe Miguez, 1995, espetáculos marcantes desse período.
Depois de acompanhar o iluminador Luiz Paulo Nenen como assistente e operador de luz, estréia em 1983, assinando a luz de Galvez, o Imperador do Acre, de Márcio Souza e Luiz Carlos Góes, com direção de Luiz Carlos Ripper. Seguem-se Miguel Falabella e Guilherme Karan, Finalmente Juntos e Finalmente ao Vivo, de Miguel Falabella, Mauro Rasi e Vicente Pereira, com direção de Antônio Pedro, e Classificados, Desclassificados, coletânea, dirigido por Jacqueline Laurence, ambos em 1984, e Tupã, a Vingança, de Mauro Rasi, com Miguel Falabella na direção, em 1985.
Com o diretor Luis Antônio Martinez Corrêa, faz Theatro Musical Brazileiro - Parte I (1860/1914), 1985, e Theatro Musical Brazileiro - Parte II (1914/1945), 1987, ambos com roteiro de Luis Antônio Martinez Corrêa e Marshall Netherland, e Ataca, Felipe!, de Artur Azevedo, 1986. Em 1986, cria a iluminação de O Mistério de Irma Vap, de Charles Ludlam. Sob a direção de Naum Alves de Souza, ilumina Fernanda Montenegro em Dona Doida, Um Interlúdio, de Adélia Prado, e Cenas de Outono, de Yukio Mishima, ambos em 1987.
Neste mesmo ano, sob a direção de Aderbal Freire Filho, assina Gardel, uma Lembrança, de Manuel Puig, e faz a luz para Exercício n.º 1, de Bia Lessa. Em 1988, é a vez de Bandeira dos Cinco Mil Réis, de Geraldo Carneiro. Trabalha com Gabriel Villela em A Falecida, de Nelson Rodrigues, 1994, e Mary Stuart, de Shiller, 1996. O crítico Macksen Luiz escreve sobre o primeiro: "A iluminação de Maneco Quinderé, ao mesmo tempo que cria um féerie de espetáculo de circo, filtra a luz como se houvesse um anteparo de vidros coloridos. Um extraordinário trabalho de luz".1
Seguem-se Pérola, de Mauro Rasi, 1995, e Metralha, de Stella Miranda, 1996. Com a direção de Enrique Diaz, faz a luz de Melodrama, 1995, Tristão e Isolda, 1997, ambos de Felipe Miguez, e As Três Irmãs, de Anton Tchekhov, 1998. Para o texto de Anton Tchekhov, inunda o palco com luminosidade bem aberta, criando somente uma área de luz fechada no proscênio para o destaque de objetos-símbolos. Em 2001, assina Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues, com direção de Marcus Alvisi. No ano seguinte participa da prestigiada montagem de Os Sete Afluentes do Rio Ota, de Robert Lepage, com direção de Monique Gardemberg. Em 2003, é sucesso de bilheteria com Batalha de Arroz Num Ringue Para Dois, de Mauro Rasi, direção Miguel Falabella, além de assinar a luz de O Casamento do Pequeno Burguês, de Bertolt Brecht, com direção de João Fonseca, como também em O Que Diz Molero, de Dinis Machado, novo prestígio para o diretor Aderbal Freire Filho.
Notas
1. LUIZ, Macksen. Torre de babel. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 26 jun. 1995.
Atualizado em 17/10/2007
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