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ALEXIS GURGEL (1)

O jornalista e poeta processo, Alexis Fernandes Gurgel nasceu em Caraúbas (Rio Grande do Norte) em 17 de janeiro de 1945. Atuou nos jornais Correio do Povo, Tribuna do Norte e O Poti, onde se destacou como repórter e chefe de reportagem e posteriormente, chefe de reportagem da sucursal do Diário de Natal, em Mossoró.

Fez parte no movimento do Poema Processo em 1967 e fez um trabalho com o objeto/processo chamado “Flash Mark”, que constituía numa tábua, contendo colagens, além de pregos e martelos, e que permitiam ao consumidor do poema escolher a imagem a executar dentro de um verdadeiro mosaico de alternativas: havia fotos do presidente americano Richard Nixon, de militares em passeatas, de pessoas lutando na guerra do Vietnã, etc... “Executando a imagem, batendo o martelo sobre o prego, o consumidor repudiava a situação de violência – signo capitalista fotografado”, explica o crítico literário Anchieta Fernandes.

Em março de 1977 Alexis Gurgel participou como palestrante do III Seminário de Atualização Pedagógica, desenvolvendo o tema: “Comunicação e Educação”. O evento foi promovido pelo jornal Diário de Natal, em Mossoró.

Alexis foi sepultado no dia 27 de abril de 1979 no Cemitério Parque de Nova Descoberta. “Alexis tinha um incrível talento de repórter, sempre com o olho voltado para o novo que era talvez o seu traço impressionante”, escreveu o Jornalista Vicente Serejo na coluna Ponto de Vista.

Durante a época do desenvolvimento do Poema Processo em Natal, Falves Silva, J. Medeiros, Anchieta Fernandes e Alexis Gurgel criaram a revista “DÊS” para que seus poemas circulassem entre os meios culturais. O grupo participou de várias exposições itinerantes por Recife, João Pessoa, Fortaleza e Rio de Janeiro.

Obra: Cultura de Massa em Processo (1986 – Edição póstuma)

Teses Alexis Gurgel:

A informação é uma necessidade provocada pela cultura de massa

Já não existem mais dúvidas de que o aumento sucessivo dos meios de produção em massa, do aperfeiçoamento dos veículos de comunicação, o progresso da ciência’ enfim, o desenvolvimento rápido e constante da tecnologia exigem (ou vem exigindo) um aprimoramento do homem, maiores conhecimentos, uma informação adequada, especialização.

Considerado teórico e profeta dos anos 60, o filósofo das comunicações, Marshall McLuhan, escreveu que atualmente vivemos numa "aldeia universal", onde o homem pode viver bem informado em qualquer parte do mundo. E esta observação traz consigo um complemento: cursos especializados sobre diversos problemas surgidos recentemente, além de colocar como ciência certas disciplinas que eram consi­deradas até pouco tempo como "matérias complementares".

A aldeia

Qualquer pequena capital é mais uma "aldeia" que faz parte do tribalismo universal. Nela o homem pode estar tão bem informado como o novaiorquino, o londrino ou o paulista. O último seqüestro em qualquer parte do mundo é divulgado momentos depois de ocorrido. O que fazem atualmente as principais celebridades, também se sabe. O homem encontra-se informado sobre a política internacional e, enfim, sobre todos os detalhes importantes.
E o complemento da simples informação também se faz presente. Atualmente muitas cidades mesmo no Brasil já dispõem de cursos específicos para cada ciência, que aperfeiçoam a informação. Tudo contribuindo para uma melhor e precisa informação, agora científica e profissional.

Com o advento da nova técnica e as mutações-transformações sempre constantes do mundo de hoje’ tomou-se necessário ao homem uma informação adequada, “bem” adequada. Este homem tem de saber cada vez mais, especializar-se. Como conseqüência desta nova necessidade surgiram os estágios, as pós-graduações intensivas e cursos especializados.

A necessidade da informação

Ainda Marshall McLuhan é quem afirma que as cidades de hoje passaram a ser simplesmente um espectro para turistas, e que elas (as cidades) perderam aquela qualidade de “centros informacionais”, onde todo homem que quisesse adquirir conhecimentos e cultura deveria convergir para elas. Assim a única importância que as cidades grandes, ou metrópoles, podem oferecer é de atração turística, muito embora se reconheça que nelas a informação é mais rápida, chega primeiro, mesmo porque os veículos de comunicação são mais numerosos e melhores.

Enquanto isso, qualquer provinciano, sem nunca ter saído de sua cidade, vive bem informado. Esta informação constitui-se numa necessidade, nos dias atuais. O homem precisa saber do que acontece na “aldeia universal”, pois somente estando informado adequadamente integra-se na sociedade em que vive, da cibernética, do biorritmo, dos transplantes’ e da proveta, reconhecendo, todavia, o paradoxo do sub-desenvolvimento e das guerras.

Informação nova

O homem tem necessidade da informação. E esta necessidade caracteriza-se, principalmente, na ânsia de uma informação sempre nova. E não se diga que o homem não procura a nova informação. Sobre isso o livro de Marshall McLuhan “Os Meios de Comunicação como Extensões do Homem”, contrariando os prognósticos do seu próprio editor, tornou-se “best-seller”, mesmo considerado um livro difícil, por conter 75% de informação nova.

Na nova sociedade super-industrializada e desenvolvida, o problema já está demasiadamente elástico, ao ponto de ter quem afirme que o melhor especialista será aquele que conhecer mais informação fora do seu campo de trabalho. Assim, como disse o critico e escritor Décio Pignatari, "a sociedade humana (a Ocidental especialmente) teve de esperar pela eletricidade e pela televisão para poder dar inicio a um lento processo de retribalização e integração social, onde todos possam exercer "papéis" e não ofícios e empregos especializados tão somente. Estamos, pois, assistindo ao fim da era das especializações mecânicas, fragmentadas, de velho estilo (fruto da indústria mecânica do século passado), e vamos entrando na era cm que o melhor especialista é aquele que mais coisas conhece fora do campo de sua própria especialização — conseqüência da indústria eletrônica de nosso século".

Arte como anti-ambiente

Décio Pignatari é um dos críticos brasileiros que mais conhece de perto o problema da cultura de massa. Tradutor de Marshall McLuhan; ele escreveu vários artigos que colocam a arte como resposta ao “stress” que a cultura de massa provoca nas pessoas de todo o mundo. E é dele esta constatação: Os média em sucessão e em atrito cria um ambiente irritante, quase abrasivo’ especialmente agora, quando sentido que o implosivo, o integrado e o sintético se chocam com o explosivo, o fragmentado e o analítico. Para neutralizar a pressão do ambiente, que produz o "stress" e a irritação urge um antídoto, um contra-irritante. A arte pode ser esse contra-irritante, esse anti-ambiente, pois ela previne e prepara a sensibilidade para as mudanças e os efeitos causados pelos novos meios de comunicação, extraindo deles os meios com que criticá-los e compreendê-los, ou seja, os meios com que criticar e salientar os desmandos provocados pelas novas tecnologias, amaciando os seus efeitos de hipnose e alienação. Em relação à tecnologia, a arte exerceria uma função de metalinguagem, uma função de consciência critica. "Os artistas são as antenas da raça", já dizia Pound.

As verificações de Décio podem bem indicar o antídoto contra a irritação e o “stress”, provocados pelo atrito da cultura de massa. Aqui mesmo no Nordeste este “con­tra-irritante” esta “resposta”, vem sendo empregada há alguns anos. Os movimentos culturais e os “happenings” deram a partida, desde o final da década passada, notadamente com a equipe do poema-processo, que pode ser considerada como criadora de “anti-ambiente”.

E é isso que vem fazendo com que a cultura de massa continue uma cultura em processo. Estamos na “Era da Instantaneidade”, que é a era da eletricidade e da eletrônica, “da recuperação e integração da sensibilidade, e, quem sabe, da Consciência Universal”.

http://www.geraldo2006.com/arte4.html#Alexis_Gurgel