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Postado por Ivan Maurício em 26/09/2007 17:22

ABRAÃO BATISTA (1)
CORDEL CAMPINA ENTREVISTA UM DOS MAIS IMPORTANTES CORDELISTAS E XILOGRAVADORES DA CIDADE DE JUAZEIRO DO NORTE, A TERRA DOS ARTISTAS DA MÃE DE DEUS, CONHECIDA NO MUNDO INTEIRO PELA FÉ NO PADRE CÍCERO E PELA CULTURA, O PROFESSOR ABRAÃO BATISTA, QUE FALA DE SUA HISTÓRIA COMO CORDELISTA E XILOGRAVADOR E REVELA AS ORIGENS DA LITERATURA DE CORDEL NO JUAZEIRO DO NORTE, ALÉM DE CONTAR SOBRE SEUS PRÓXIMOS PROJETOS.

Por Fernanda Moura

O Professor Abraão Batista, farmacêutico por profissão, é uma das figuras mais representativas da Literatura de Cordel, do artesanato popular tradicional e da cultura de raiz como um todo de Juazeiro do Norte. Nasceu em 4 de abril de 1935, mas foi em 1968, quando o Papa caçou 44 santos católicos que iniciou sua produção na literatura de cordel, juntamente com a atividade de xilogravador. Aproveitando este acontecimento como tema produziu “A entrevista de um jornalista de Juazeiro do Norte com os 44 santos caçados”, que foi um grande sucesso. Juazeiro é uma terra marcada pela religiosidade de seu povo, identificada na fé ao Padre Cícero, e pela densa produção cultural, na literatura, na música, nas danças folclóricas, e no artesanato, que exploram sempre os elementos da natureza, os protetores divinos e as figuras sociais lendárias, tais como o próprio Padre Cícero e Lampião. Abraão Batista, referencial desta cultura rica, leva sua produção para várias regiões do Brasil e do mundo, herdeiro dos grandes cordelistas e do Mestre Noza, mestre maior do artesanato Juazeirense, é fundador do Centro de Cultura Mestre Noza e da Associação dos Artesãos do Padre Cícero, que congregam vários artesãos, contribuindo para a organização e valorização da atividade de artesanato na cidade. Sua obra mais famosa é O Homem que Deixou a Mulher para Viver com uma Jumenta na Paraíba.

“O Padre Cícero é um referencial, é um guru, é a carta maior do baralho nordestino, é uma atração turística, é o Santo do povo.”
Abraão Batista

CC: Quando começou seu interesse pela Literatura de Cordel?

AB: Desde menino que eu convivo com o Cordel através de minha mãe que era uma leitora extraordinária de Cordel, e todo aquele mundo, “Zezinho e Mariquinha”, “Pavão Misterioso”, “Roberto do Diabo”, “Zé de Souza Leão”, todo aquele fantástico mundo que eu tinha comigo, mesmo criança, menino, adolescente. Como aqui não tinha o curso colegial eu fui estudar em Fortaleza, no Liceu do Ceará, lá eu fiz o segundo grau, e cursei a Universidade de Farmácia, sou farmacêutico, e voltei pra cá e fiquei a frente dos negócios de minha irmã que havia ficado viúva, quando conhecei minha mulher, que era pernambucana como minha mãe , casamos e viemos para cá, então devido às carências, na época não tinha financiamento para o Interior para a montagem de laboratórios, houve aquele escândalo nacional de exames de mentirinha e o credenciamento via INPS foi suspenso e eu fiquei a ver navios, e mergulhei no magistério e com isso passei vinte e dois anos, hoje eu sou professor aposentado. No entanto em 1968, nascia minha segunda filha foi quando aconteceu isso, quando surgiu o Cordel na minha vida, veja bem, depois dos trinta anos foi que comecei a escrever cordel, mas o cordel vivia embutido de forma telúrica, na minha alma, em função da minha mãe que era leitora, todo aquele mundo eu conhecia, então comecei a freqüentar a gráfica de Zé Bernardo, herdeiro de Martins de Athayde, que foi herdeiro de Leandro Gomes de Barros, que é um dos precursores, juntamente com Severino do Pirauá, de Pombal,como também Leandro.

CC: Professor conte-nos sobre as origens do Cordel em Juazeiro do Norte.

AB: O Cordel do Brasil começou ali, em Pombal, Campina Grande, João Pessoa, o cordel veio para o Brasil por herança de Portugal dos Mouros, porque a origem do Cordel é no oriente, dos Árabes, dos Mouros, agora quando Portugal invadiu o Brasil, ele veio (...)

http://www.cordelcampina.cgonline.com.br/