ANTÔNIO CARLOS MAGALHÃES (1)
Antonio Carlos Peixoto de Magalhães formou-se médico, como seu pai, pela Universidade Federal da Bahia em 1952, mas encontrou na política a sua profissão. Nascido na ladeira da Independência, em Salvador (BA), em 4 de setembro de 1927, ACM iniciou sua vida política como presidente do grêmio do Ginásio da Bahia. Na universidade, foi presidente do Diretório Central de Estudantes.
Trabalhou como redator de debates da Assembléia Legislativa da Bahia e redator do jornal "Estado da Bahia" (dos "Diários Associados"). Em 1979, começou a circular o "Correio da Bahia", jornal de sua propriedade. Suas empresas de comunicação incluem também a TV Bahia, afiliada à Rede Globo de Televisão.
ACM foi professor-assistente e, depois, professor adjunto da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia, além de literato, tendo publicado dois livros "Não Era Fácil Ser Revolucionário" e "Meu Compromisso com o Nordeste".
Entre os imortais da Academia de Letras da Bahia, ocupou a cadeira 37. Em 1998, depois de 15 anos, ACM decidiu abandonar a instituição. Alegou ter ficado revoltado com a entrada de um jornalista e seu desafeto na entidade.
Mas todas essas atividades se tornaram secundárias na vida do homem que ocupou cargos importantes na vida pública brasileira desde 1954, quando foi eleito deputado estadual pela UDN (União Democrática Nacional).
Quatro anos depois, começou a alcançar projeção nacional quando se elegeu, ainda pela UDN, deputado federal cargo para o qual foi reeleito duas vezes, em 1962 e 1966.
A popularidade crescente e o círculo de amigos que formou ao longo desses primeiros dez anos de vida pública fizeram com que fosse nomeado prefeito de Salvador pelo então governador, Luís Viana Filho.
Para ocupar a prefeitura, licenciou-se da Câmara em janeiro de 1967. Na ocasião ACM já estava filiado à Arena (Aliança Renovadora Nacional), partido que dava sustentação ao governo militar e que fora criado no ano anterior.
Ao fim do mandato de prefeito, em 1970, reassumiu seu papel de deputado federal, cargo que exerceria por menos de um ano, já que, em 1971, foi indicado pelo presidente Emílio Garrastazu Médici para ser o governador da Bahia.
É nesse cargo que Antonio Carlos Magalhães iniciou as obras que o tornariam famoso em seu Estado natal, como mais de 200 quilômetros de esgotos sanitários, uma nova estação rodoviária em Salvador e a ampliação do sistema de ligação por ferryboat da capital baiana com a ilha de Itaparica.
Durante o mandato de governador, entre 1971 e 1975, ACM iniciaria a consolidação da Bahia como pólo turístico brasileiro, com a implantação de hotéis e a construção de estradas e museus em Salvador e Porto Seguro (litoral sul da Bahia).
Em 1975, o então presidente Ernesto Geisel nomeou ACM presidente da Eletrobrás e membro do Conselho de Administração da Itaipu Binacional.
Esse afastamento do primeiro plano da vida pública duraria até 1979, quando teve início o seu segundo mandato como governador da Bahia, novamente indicado pelo governo militar.
Com o fim do bipartidarismo, ACM filiou-se ao PDS (Partido Democrático Social) e, em 1982, elegeu seu sucessor, João Durval Carneiro, com quem romperia tempos mais tarde.
Em 1984, enquanto o país buscava a redemocratização, com a campanha das "Diretas Já", ACM opôs-se à candidatura à Presidência de Paulo Maluf e declarou seu apoio a Tancredo Neves. Juntamente com outros dissidentes do PDS fundou a Frente Liberal, posteriormente transformada em Partido da Frente Liberal (PFL).
Com a morte de Tancredo e a posse de José Sarney, em 1985, assumiu o Ministério das Comunicações, nele permanecendo até março de 1990. Sua gestão foi marcada por várias denúncias de distribuição de concessões de rádio e TV em troca de apoio aos interesses do governo, em especial para a aprovação do mandato de cinco anos para José Sarney.
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http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/2001-acm.shtml