ADALGISA CAVALCANTI (1)
Foi comunista a primeira deputada estadual de Pernambuco
Nascida em Canhotinho - PE, em 28 de julho de 1905, filha de pequenos criadores e proprietários de terra. Como a mãe houvesse falecido, aos 11 meses ela é adotada pelos tios, com os quais passa a residir. O tio, plantador, criador e funcionário público, anti-religioso como a esposa, era político e, conforme nos diz Adalgisa, acompanhava sempre o Governo, embora simpatizasse com a Oposição, coisa que escondia, evidentemente.
Em 1934, teve os primeiros contatos com a literatura marxista, que, conforme confessa, era para ela de difícil compreensão. Só havia feito o curso primário, mas o Partido a instara a estudar um pouco mais, e durante alguns meses ela foi ajudada nesse particular por um professor, amigo.
Perseguida por suas idéias e por seu trabalho junto ao Partido, ela foi presa pela primeira vez em 1936. Respondeu a processo, foi condenada, passou quatro meses na Colônia Penal do Bom Pastor. Ao sair dali, viveu na clandestinidade, até a legalização do Partido, com o fim do Estado Novo. Passa então a integrar o Comando do Diretório dos Comunistas em Pernambuco e se torna sua candidata preferencial.
Em junho de 1954 ela confessa ter sido presa nove vezes. Em nenhuma dessas prisões sofreu tortura ou espancamento, como acontecia com outros membros do Partido, mas somente "provocações e ofensas morais", às quais respondia à altura, como confessa. Ao todo, segundo testemunho de sua sobrinha, por vinte vezes Adalgisa sofreu a humilhação da prisão. Adalgisa que se casou em 1922, que nunca teve filhos, tornou-se deputada em 1947: teve 2.298 votos, superando assim vários candidatos de outros partidos influentes. Adalgisa Rodrigues Cavalcanti foi uma parlamentar atuante.
Ao todo, Adalgisa Cavalcanti esteve presa durante vinte períodos, segundo afirmou na sessão da Assembléia que a homenageou, no dia 15 de setembro de 1997, sua sobrinha, Luciene de Freitas Brito.
http://www.barbaradealencar.org.br/guerreiras.html
Dias após seu falecimento, ocorrido aos 91 anos, em abril de 1997, a deputada Luciana Santos havia requerido um voto de pesar pela ilustre companheira desaparecida. E assim apresentou sua justificativa:
"A História costuma ser descrita e interpretada pela ótica das classes dominantes. O povo - que vive do trabalho e nele se realiza - é o verdadeiro criador da História Universal, embora esteja impedido de compreender o seu próprio papel, por artifícios de dominação ideológica cada vez mais sofisticados. Daí porque fatos e episódios que têm como protagonistas lideranças que brotam da luta do povo, freqüentemente são minimizados."
A última homenagem feita pela Assembléia Legislativa de Pernambuco a sua mais famosa representante no passado foi a concessão de reembolso das despesas com o funeral de Adalgisa, no dia 19 de maio de 1998.
http://www.alepe.pe.gov.br/perfil/presencafem
inina/AdalgisaCavalcanti.html