Postado
por
Ivan Maurício
em 24/10/2007 20:10
ADEMIR MENEZES (4)
Ademir Menezes do faro de gol
Por Antônio Falcão
Ao longo da história do Brasil, e entre os estados nordestinos, Pernambuco sempre teve destaque em economia, política e letras. Mas na arte de jogar futebol só a partir da metade dos anos 30 do século passado. E isso pelo seguinte: na recifense praia do Pina, Ademir Marques de Menezes era colegial de espinha no rosto, queixo avantajado, cabelo repartido ao meio e fama nas peladas à beira-mar. Desde a adolescência, ele dava arrancadas fulminantes para o gol e batia forte e certeiro com os dois pés. O bairro do Pina, onde Ademir nasceu em 8 de novembro de 1922, era reduto de pescadores, biscateiros, mascates, lúmpens e desalentados econômicos. Nele, viviam os pais do craque, Otília e Antônio Muriçoca – ela, do lar, e o marido vendia carros, além de dirigir amadoristicamente a divisão de remo do Sport Club do Recife. E a esta equipe da Ilha do Retiro o pai o levou para jogar futebol nas categorias de base.
No Sport, Ademir seria bicampeão juvenil em 38, atuando na meia-direita, posição apelidada de ponta-de-lança graças à fúria com que ele cavava o gol. Mas o jovem do Pina, que chutava sem tomar distância, não se afastara dos estudos, e por isso – provando que a esperteza brasileira vem de longe –, indevidamente, inscreveram-no como acadêmico de medicina nos jogos universitários. Na Ilha do Retiro, ele foi juvenil até 40, quando se profissionalizou. E, com a ida do técnico uruguaio Ricardo Diez para o Sport, Ademir agarrou-se à vaga com ímpeto, fez-se astro e campeão estadual invicto em 41. A seguir, consagrou-se excursionando com o time ao centro-sul do Brasil – vencendo onze dos 17 jogos contra mineiros, paulistas, paranaenses, barrigas-verdes, gaúchos e cariocas. Em março de 42, diante do Vasco, o filho de Antonio Muriçoca deu provas de que veio ao mundo para golear: fez três! E, no ato, o clube de São Januário comprou o seu passe – pagando-lhe, inclusive, luvas, soma contratual até ali inédita nas tenebrosas transações do futebol.
Nesse 1942, Ademir jogou em todas as posições do ataque vascaíno. A seguir, ganharia pelo escrete carioca o certame nacional de selecionados estaduais. Repetiu isso em 44 e virou herói no País – homenageando-o, por toda parte do território nacional as crianças recebiam o seu nome. Em 45, além de campeão invicto no estadual carioca pelo Vasco, na seleção brasileira – na qual estreou em 21 de janeiro, no sul-americano do Chile – ele compôs com Tesourinha, Zizinho, Leônidas da Silva e Heleno de Freitas o melhor ataque mundial do século 20. E se tornou em São Januário a estrela maior e mais luzente do “Expresso da Vitória” – como o Vasco foi batizado.
Só que, em 1946, o técnico frasista Gentil Cardoso o exigiu no Fluminense. E, endividado, o tricolor das Laranjeiras fez-se supercampeão, sendo Ademir e o seu conterrâneo Orlando Pingo-de-Ouro os ases desse estadual. O Vasco ficou na saudade até 48 e o readquiriu para ganhar o sul-americano de clubes. Com o Expresso da Vitória refeito, o time cruzmaltino chegou aos títulos de 1949, 50 e 52 – com Ademir sendo o artilheiro maior do Rio de Janeiro nos dois primeiros títulos. Nesse tempo, felizardo no Vasco e nas seleções, o recifense recebeu os passes precisos e as parcerias de craques como Jair, Danilo, Tesourinha, Heleno de Freitas, Ipojucan e Maneca.
Pari-passu, ele legou ao clube inúmeros torneios e aos cariocas duas taças do certame nacional de seleções. Ao Brasil, antes da Copa do Mundo, venceu o sul-americano de seleções de 49, afora as copas Roca, Rio Branco e Oswaldo Cruz – uma vez cada. Mas o Mundial de 1950, jogado no Brasil, que deveria ser a glória de Ademir, serviu-lhe de mágoa maior. Mas desse torneio incorporado à tristeza brasileira ele saiu como o artilheiro isolado com 9 tentos. E ainda eleito – na mídia e no coração da massa – como o melhor centroavante. (...)
http://www.arquibancada.blog.br/index.php?m=01&y=07&
entry=entry070128-224548