Postado
por
Ivan Maurício
em 15/03/2008 20:19
AFRÂNIO PEIXOTO (1)
No dia 14 de dezembro de 1876 nascia em Lençóis, nas Lavras Diamantinas da Bahia, Júlio Afrânio Peixoto. Na foto aparece a casa onde nasceu e que hoje, é o Museu Afrânio Peixoto. Formou-se em Medicina na Faculdade de Medicina da Bahia e sua tese de doutoramento foi Epilepsia e Crime. O Prof. Isaías Paim em artigo publicado na revista Brasiliense de Psiquiatria Vol.1 (1) 1971 sob o título Desenvolvimento da Psicopatologia forense no Brasil, considera-o como "fundador da psicopatologia forense em nosso país".
Nosso biografado foi um homem múltiplo, alienista, médico legista, político, professor, crítico, ensaísta, romancista, historiador literário, acadêmico, polemista.
De várias fontes extraímos dados de sua família. Foram seus pais o capitão Francisco Afrânio Peixoto e Virgínia de Morais Peixoto. O pai, comerciante, autodidata, transmitiu ao filho os conhecimentos que auferiu ao longo de sua vida. Lá no interior da Bahia não poderia sequer imaginar que em 1910 o filho seria eleito para a Academia Brasileira de Letras na cadeira de Euclides da Cunha.
Na Faculdade de Medicina da Bahia aproximou-se de Juliano Moreira e em 1902 foi por ele convidado para mudar-se para o Rio de Janeiro. Sua vida, como de tantos outros médicos, oscilava entre a prática clínica e os pendores literários.
"A sua estréia na literatura se deu dentro da atmosfera do simbolismo, com a publicação, em 1900, de Rosa mística, curioso e original drama em cinco atos, luxuosamente impresso em Leipzig, com uma cor para cada ato. O próprio autor renegou essa obra, anotando, no exemplar existente na Biblioteca da Academia, a observação: "incorrigível. Só o fogo."
No Rio de Janeiro, foi inspetor de Saúde Pública (1902).Diretor do Hospital Nacional de Alienados (1904). Após concurso, foi nomeado professor de Medicina Legal da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (1907) e assumiu os cargos de professor extraordinário da Faculdade de Medicina (1911); diretor da Escola Normal do Rio de Janeiro (1915); diretor da Instrução Pública do Distrito Federal (1916); deputado federal pela Bahia (1924-1930); professor de História da Educação do Instituto de Educação do Rio de Janeiro (1932). No magistério, chegou a reitor da Universidade do Distrito Federal, em 1935. Após 40 anos de relevantes serviços à formação das novas gerações de seu país, aposentou-se. Faleceu no Rio de Janeiro em 12 de janeiro de 1947.
Entre 1904 e 1906 viajou por vários países da Europa, com o propósito de ali aperfeiçoar seus conhecimentos no campo de sua especialidade, aliando também a curiosidade de arte e turismo ao interesse do estudo. Nessa primeira viagem à Europa travou conhecimento, a bordo, com a família de Alberto de Faria, da qual viria a fazer parte, sete anos depois, ao casar-se com Francisca de Faria Peixoto. Em 1906, submeteu-se às provas do concurso em que ganharia as cadeiras de Medicina Legal e Higiene. Quando da morte de Euclides da Cunha (1909), foi Afrânio Peixoto quem examinou o corpo do escritor assassinado e assinou o laudo respectivo.
Ao vir ao Rio, seu pensamento era de apenas ser médico, tanto que deixara de incursionar pela literatura após a publicação de Rosa mística. Sua obra médico-legal-científica avolumava-se. O romance foi uma implicação a que o autor foi levado em decorrência de sua eleição para a Academia Brasileira de Letras, para a qual fora eleito à revelia, quando se achava no Egito, em sua segunda viagem ao exterior.
Na Academia, teve também intensa atividade. Pertenceu à Comissão de Redação da Revista (1911-1920); à Comissão de Bibliografia (1918) e à Comissão de Lexicografia (1920 e 1922). Presidente da Casa de Machado de Assis em 1923, promoveu, junto ao embaixador da França, Alexandre Conty, a doação pelo governo francês do palácio Petit Trianon, construído para a Exposição da França no Centenário da Independência do Brasil. (...)
http://www.polbr.med.br/arquivo/wal0802.htm