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Postado por Ivan Maurício em 30/10/2007 16:54

AGUINALDO SILVA (1)
Aguinaldo Ferreira da Silva nunca pensou em ser autor de novelas. Nascido em uma família pobre de Carpina, no interior de Pernambuco, começou a trabalhar aos 14 anos, num cartório. Asmático, trocava o jogo de futebol com os meninos da vizinhança pela leitura de clássicos, como Dostoiévski e Camões. Filho do gerente de uma loja de autopeças com uma dona-de-casa, publicou o primeiro romance, Redenção de Jó, aos 16 anos. Da literatura, pulou para o Jornalismo. Aos 18, estreava no Última Hora, do Recife, como o mais jovem repórter da redação.

"Durante muito tempo, carreguei o título de mais jovem em tudo. É uma pena que nunca mais eu vá conseguir recuperá-lo", brinca.

Dois anos depois, Aguinaldo Silva mudou-se para o Rio, onde passou a trabalhar em O Globo, já como repórter policial. Dessa época, não esquece das cartas que trocou com o bandido Lúcio Flávio, o mais procurado da época, e da cobertura do seqüestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick por um grupo de estudantes de esquerda. Foi justamente a experiência adquirida nas redações de jornal que lhe valeu um convite para escrever Plantão de Polícia, na Globo. Desde então, não parou mais.

Em 25 anos, já escreveu quatro minisséries e nove novelas. "Escrever novelas exige 10% de talento e 90% de obsessão", calcula.

Vida em capítulos


Sempre que inicia um novo trabalho, Aguinaldo Silva segue, religiosamente, a mesma rotina. Todos os dias, tem hora certa para acordar, dormir e trabalhar. Mesmo assim, não dispensa alguns prazeres, como cozinhar, e algumas extravagâncias também, como participar de leilões de arte.

"Houve um dia em que peguei um avião e fui até São Paulo. Vi a peça que queria comprar e voltei ao Rio", confessa. Morando numa confortável casa com piscina num condomínio da Barra da Tijuca, Aguinaldo Silva vive só. Atualmente, desfruta apenas da companhia de Jorge Tadeu, um gato persa que presta homenagem ao personagem de Fábio Jr. em Pedra Sobre Pedra.

"Depois de uma certa idade, a gente precisa mais de enfermeiros do que de amantes", graceja.

Na maioria das vezes, é o próprio autor quem atende o telefone, paga as contas no banco, vai ao supermercado... "Já tive um 'staff' dentro de casa, mas percebi que essas pessoas mais atrapalham do que ajudam. Preciso de total concentração para trabalhar", avisa. A rotina de Aguinaldo começa cedo, às 5h30. Depois de preparar o próprio café, toma banho, faz a barba e troca de roupa "como se fosse sair para trabalhar".

Na verdade, desce apenas para o escritório, no primeiro andar da casa, às 7h30. Em seguida, trabalha até o meio-dia, quando faz um lanche e descansa até as 14h. Depois, recomeça o trabalho até as 18h. Nessa hora, se reserva o direito de fazer o que mais gosta: o próprio jantar. "Sou craque na cozinha. Adoro cozinhar e isso me relaxa muito", assegura.

Quase todos os dias, Aguinaldo Silva dá um pulinho no supermercado que fica ao lado de sua casa. Enquanto faz compras, conversa com caixas, empacotadoras e fregueses em geral sobre o capítulo do dia anterior. Foi nessas idas e vindas, por exemplo, que descobriu que Viviane, a personagem de Letícia Spiller, é a de maior rejeição entre o público feminino.

"Os homens adoram, mas as mulheres detestam. A Viviane é do tipo que ameaça tirar o marido das outras", arrisca. De volta das compras, prepara o jantar e assiste à novela na hora em que ela vai ao ar. "Ver depois não tem graça", sublinha. Quando o capítulo termina, liga para o diretor Wolf Maya e conversa sobre o que foi ao ar. Depois, volta para a cama, porque, no dia seguinte, começa tudo outra vez.

Trajetória televisiva:

- Plantão de Polícia (1979)
- Lampião e Maria Bonita (1982)
- Bandidos da Falange (1983)
- Padre Cícero (1984)
- Partido Alto (1984)
- Tenda dos Milagres (1985)
- Roque Santeiro (1985)
- Vale Tudo (1988)
- Tieta (1989)
(...)

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