Postado
por
Ivan Maurício
em 14/10/2007 22:13
ALBERTO CUNHA MELO (2)
Adeus
Corpo do poeta Alberto da Cunha Melo é enterrado
14/10/2007 17h36
Do JC OnLine
Com informações de Marcelo Pereira, Caderno C/JC
O corpo do poeta pernambucano Alberto da Cunha Melo, 65 anos, foi sepultado na tarde deste domingo, no Cemitério Morada da Paz, em Paulista. Amigos e familiares compareceram à cerimônia para dar o último adeus a uma das principais vozes poéticas da literatura brasileira contemporânea. Alberto da Cunha Melo faleceu nesse sábado (13), às 19h35, na UTI do Hospital Jayme da Fonte, onde deu entrada na última quinta-feira, com infecção respiratória. Seu corpo foi velado na Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), em Santo Amaro.
Alberto vinha lutando contra um câncer de fígado e chegou a realizar um transplante do órgão no dia 24 de agosto passado. Ele deixa quatro filhos, sendo dois do primeiro casamento e dois da viúva Cláudia Cordeiro.
Expoente da chamada Geração 65, em julho passado, Alberto da Cunha Melo foi agraciado com o Prêmio Poesia 2007, concedido pela Academia Brasileira de Letras, pelo livro O cão dos olhos amarelos & Outros poemas inéditos (A Girafa Editora). Não chegou a ir receber a láurea em virtude do seu estado de saúde.
"Alberto é Pernambuco, um grande nome pernambucano da poesia nacional, filho ilustre, amigo leal e que lutou para a derrubada do muro que separa os homens e restitui a justiça e a cidadania", disse o imortal da Academia Pernambucana de Letras e presidente da Cepe, poeta Flávio Chaves, de quem Alberto era assessor especial.
José Alberto Tavares da Cunha Melo nasceu em Jaboatão, em 1942 e orgulhava-se de se dizer neto e filho de poetas. Era sociólogo e jornalista, tendo sido o editor da página Suplemento Cultural do Jornal do Commercio, nos anos 80, abrindo espaços para jovens poetas, principalmente do movimento de escritores independentes, e críticos. Ultimamente, assinava a coluna Marco Zero, na revista Continente Multicultural (editada pela Cepe). Seu primeiro livro – Circulo cósmico – foi publicado em 1966, ano em que o historiador Tadeu Rocha rotulava de Geração de 65 o grupo de poetas surgidos das páginas do Diário de Pernambuco. Portanto, completa, neste ano de 2006, 40 anos de trabalho poético ininterruptos.
Alberto deixa uma obra vasta e consistente, de profunda preocupação com a existência humana. Em vários poemas, protestou contra a opressão e a injustiça social. São 16 livros, 13 de poesia. Ele está presente também em 26 antologias, duas delas internacionais. Suas obras, por ordem de edição são as seguintes: Círculo Cósmico (Recife: UFPE, separata da revista Estudos Universitários, 1966.), Oração pelo Poema. Recife: UFPE, separata da revista Estudos Universitários, 1969), a Publicação do Corpo (Quíntuplo, Aquário/UM, 1974.), A Noite da Longa Aprendizagem (Notas a Margem do Trabalho Poético. Recife, 1978-2000, v. I, II, III, IV, V; inédito), Dez Poemas Políticos (Recife, Pirata, 1979), Noticiário ( Recife: Edições Pirata, 1979), Poemas a Mão Livre (Edições Pirata, 1981), Soma dos Sumos (Rio de Janeiro: José Olympio, 1983), Poemas Anteriores (Recife: Bagaço, 1989), Clau (Recife: Imprensa Universitária da UFRPE, 1992), Carne de Terceira com Poemas à Mão Livre (Recife: Bagaço, 1996), Yacala (Recife: Gráfica Olinda, 1999), Meditação sob os Lajedos (Natal/Recife: EDUFRN, 2002), Dois caminhos e uma oração (São Paulo: A Girafa, 2003) e O cão de olhos amarelos & Outros poemas inéditos (São Paulo: A Girafa, 2006).
Entre as principais participações em antologia, participou de Os Cem Melhores Poetas Brasileiros do Século, (Geração Editorial – SP), organizada por José Nêumanne Pinto, e 100 Anos de Poesia. Um panorama da poesia brasileira no século XX, (O Verso/ MinC), organizada por Claufe Rodrigues e Alexandra Maia, e de Pernambuco, Terra da Poesia (IMC/Escrituras), organizada por Antônio Campos e Cláudia Cordeiro. (...)
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