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Postado por Ivan Maurício em 30/09/2007 18:12

ANTÔNIO BANDEIRA (1)
Antônio Bandeira: quatro décadas depois de sua morte, obra continua a inspirar muitos discípulos (Foto: Divulgação)

O cearense Antonio Bandeira começou a pintar em Fortaleza, ganhou visibilidade nacional a partir do Rio de Janeiro e virou um artista mundial após se instalar em Paris

Antonio Bandeira viveu apenas 45 anos. Ele nasceu em Fortaleza, em 1922, e morreu em Paris, em 1967, no auge da carreira, depois de um inesperado choque anafilático durante uma simples cirurgia para extração de amídalas. Antes de “partir”, já era um artista conhecido no Brasil e no mundo. O pintor, desenhista e gravador cearense, num período muito enxuto, deixou sua marca registrada na história da arte. O artista não nasceu em berço de ouro. Era filho de ferreiro, mas o pai garantiu-lhe os estudos no Colégio Marista, em Fortaleza, onde uma professora cedo descobriu seu talento para a pintura.

Autodidata e artista primoroso, Antonio Bandeira movimentou a cultura do Ceará, participando da criação, em 1941, aos 19 anos, de um centro cultural em Fortaleza - com Mário Baratta, Raimundo Cela e Aldemir Martins - e, em 1944, da fundação da Sociedade Cearense de Belas Artes (Scap), com Inimá de Paula, Aldemir Martins, João Maria Siqueira e Francisco Barbosa Leite, entre outros. Em 1945, o artista - assim como Inimá de Paula, Raimundo Feitosa e Aldemir Martins - mudou-se para o Rio de Janeiro, encorajado por Jean-Pierre Chabloz, que articulava uma exposição destes artistas cearenses na Galeria Askanasy. Seu trabalho foi bem recebido e Bandeira ganhou uma bolsa de estudos da Embaixada Francesa para estudar artes em Paris, seguindo para lá em abril de 1946. Estudou pintura, desenho e gravura na École Nationale de Beaux Arts e na Academia de La Grande Chaumière.

A partir daí, sua obra tomou outras direções. Sua até então fase “figurativa” sofreu uma brusca mudança, transformando-se em “abstrata” - após seu encontro Alfred Otto Wolfgang Schulze (fotógrafo e pintor alemão conhecido como Wols) e Camille Bryen (poeta e pintor francês) alguns dos iniciadores da pintura “informal”, palavra cunhada e utilizada pelo crítico de arte Michel Tapié de Céleyran quando defendia sua posição teórica e crítica denominada “art autre” que mostrava a completa cisão com a tradição figurativa.

Bandeira voltou ao Brasil em 1951. Montou ateliê no Rio de Janeiro com José Pedrosa e Milton Dacosta. Em abril, apresentou sua primeira grande exposição no Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM/SP. Ao receber prêmio na 2ª Bienal Internacional de São Paulo, o artista voltou a Paris. Nesta nova estada no exterior, expôs em Londres, Nova Iorque e realizou um painel para o Palácio de Belas Artes de Bruxelas, em 1958. Bandeira permaneceu na França até 1959, quando retornou para uma temporada bem-sucedida de exposições no Brasil. Em 1960, inaugurou com uma exposição individual o Museu de Arte Moderna da Bahia e tomou parte na delegação brasileira à Bienal de Veneza. Expôs no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, na 5ª Bienal de São Paulo e na XXX Bienal de Veneza. Depois da primeira exposição de Fortaleza, em 1942, Antônio Bandeira participou das maiores mostras coletivas internacionais. Das Bienais de Veneza e de São Paulo, do Salon de Mai, do Salon Realités Nouvelles, “de 50 anos de Pintura Abstrata”, do “Salon D´Art Libre”, além de ter realizado exposições individuais em Paris, Londres, Nova Iorque, estando suas obras espalhadas em museus e galerias européias e americanas e em várias coleções particulares.

"Diário do Nordeste", 30/9/2007:

http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=474566