Postado
por
Ivan Maurício
em 24/09/2007 07:48
BEATO JOSÉ LOURENÇO (5)
Celebração eucarística: Dom Fernando Panico, com ajuda de mais três padres, presidiu a missa (Foto: Antônio Vicelmo)
Representantes de Comunidades Eclesiais de Base de 40 municípios da Diocese de Crato participaram ontem da Romaria do Caldeirão, cerimônia que tem como objetivo relembrar a destruição da comunidade religiosa liderada pelo beato José Lourenço, há 71 anos. A celebração eucarística, com a participação de quatro padres, foi presidida por dom Fernando Pânico, bispo da Diocese do Crato que lembrou a lição de compromisso de uma organização católica que, a exemplo dos primeiros cristãos, vivia em clima de fraternidade. “Este lugar sagrado que nós batizamos como Santuário das Comunidades será, para sempre, um exemplo de ação evangelizadora e promoção social”, afirmou.
“Vida e Missão Neste Chão”. O tema da Campanha da Fraternidade inspirou a 8ª Ramaria ao sitio Caldeirão. A representante da Pastoral da Terra, Maria Angelita Maciel, a “Nininha”, descreveu que o “solo sagrado do Caldeirão” é um exemplo de organização comunitária e um apelo “contra a devastação das florestas, queimadas e a ameaça à sua exuberante biodiversidade. A romaria, segundo Nininha, é um grito de protesto contra a ocupação das terras em flagrante desrespeito ao ecossistema.
Este ano, a romaria foi realizada mais cedo. A missa que, tradicionalmente, era celebrada às 9 horas, teve inicio às 7 horas. O objetivo da antecipação foi evitar o calor de mais de 40 graus, comum no local.
Antes de o dia amanhecer, os romeiros já estava no caminho. Um grupo de seminaristas andou cerca de sete quilômetros de pés, do sítio Bréia, onde termina o asfalto, até o Caldeirão. A representante da Paróquia de Menino Jesus de Praga, de Juazeiro do Norte, Francisca Gonçalves, trouxe a muda de um fícus para ser plantado ao lado da capela.
FIQUE POR DENTRO - Beato José Lourenço era seguidor de Padre Cícero
BeatoJosé Lourenço foi um dos mais importantes dos seguidores de Padre Cícero. Em uma terra doada pelo padre, movido por suas crenças religiosas, o beato fundou a Comunidade do Caldeirão. Organizada em moldes socialistas, a comunidade logo atraiu contra si o ódio de todas as forças conservadoras do Nordeste. Era considerada perigosa pelos grandes proprietários de terra e pelo clero do Cariri. Deixava os fazendeiros sem a mão-de-obra barata e podia significar, na visão dos poderosos, um embrião do comunismo no sertão. Na época do Caldeirão, o Brasil já vivia o Estado Novo. Uma ação militar é planejada. Mas quando os soldados chegam com violência não encontram resistência dos camponeses. Ao contrário do que se dizia, não estavam armados. No entanto, é destruído e os lavradores expulsos.
"Diário do Nordeste", 24/9/2007:
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=472904