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CAFÉ FILHO (1)
“Os anos iniciais da minha vida não foram marcados por nenhum acontecimento digno de registro. Tive uma infância como qualquer menino mais ou menos feliz, dividindo o tempo entre os divertimentos naturais da idade e os estudos”.

Meu pai, João Fernandes Campos Café, filho de senhor de engenho, herdou o sítio do meu avô no Ceará-Mirim, onde passei algumas férias. Mas o verdadeiro cenário da minha infância e da minha formação foi Natal, onde nasci a 3 de fevereiro de 1899, em pleno Governo de Campos Sales, na casa de número 22 da antiga Rua do Triunfo, hoje Quinze de Novembro, situada na parte urbana chamada Ribeira”.

João nasceu no dia 3 de fevereiro de 1899, às três e meia da manhã, na casa que aparece na foto. Ele foi registrado no dia 9 do mesmo mês, no Cartório do Registro Civil, apenas com o nome de João. Somente em 1936, já com 37 anos, em petição ao juiz da Segunda Vara, Dr. Régulo da Fonseca Tinoco é que adota o nome do pai, suprimindo no entanto o Fernandes Campos.

João Fernandes Campos Café e sua esposa Florência Amélia Campos Café tiveram primeiramente os filhos Maria e Luís, que faleceram com poucos dias de nascido. Em seu livro de memórias, Do Sindicato ao Catete, Café Filho fala de seu nascimento: “Fui o terceiro filho do segundo matrimônio de meu pai. Ele se casara em primeiras núpcias com a tia e madrinha de minha mãe, não tendo havido descendente dessa união. Meus dois irmãos, Maria e Luís, sobreviveram pouco mais de uma semana. Os vizinhos e conhecidos esperavam que, apenas nascido, também eu, em alguns dias, tivesse o berço substituído pelo pequeno esquife”.

Contariando tal expectativa, João sobreviveu e foi se “consolidando silenciosamente”. Depois dele vieram ainda Alice, Alzira e Jessé.

http://www.memoriaviva.com.br/cafefilho/index2.htm