Postado
por
Ivan Maurício
em 09/04/2008 16:32
CARLOS AUGUSTO VIANA (1)
Carlos Augusto Viana é jornalista (Editor de Cultura e colunista neste ´Diário´) e professor-assistente do Curso de Letras da Uece, lecionando, também, literatura brasileira, no ensino médio, nos colégios 7 de Setembro e Batista.
É membro da Academia Cearense de Letras, da Academia de Letras e Artes do Nordeste, da Associação Brasileira de Bibliófilos e membro-honorário da Sobrames (Sociedade Brasileira de Médicos Escritores -CE).
Integra o Conselho Curador de Cultura do Ideal Clube.
Publicou os seguintes livros: ´Primavera Empalhada´; ´Inscrições dos Lábios´; ´A Báscula do Desejo´ - este Prêmio Osmundo Pontes /2003. É, também, de sua autoria o livro de ensaio ´Drummond: a insone arquitetura´, fruto de sua dissertação de mestrado em Letras pela UFC.
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O livro ´Côdeas´, de Carlos Augusto Viana, vencedor do I Prêmio Unifor de Literatura, na categoria poesia, será lançado amanhã, às 19h30, no Ideal Clube, com a apresentação do acadêmico Lúcio Alcântara
A poesia de Carlos Augusto Viana leva o leitor a pensar sobre ela, mas esse leitor não pode desvendá-la pela razão, porque o mundo referencial do seu poema é outro: as abstrações de que é constituído não permitem uma aproximação segura desse mundo referencial, daí poder fazer-se uma infinidade de correspondências, de interpretações, tão escorregadio se torna esse terreno. Para cada leitor, só há uma saída: desgrudar-se do real e entrar no campo maravilhoso da sensação, da intuição, da experimentação, da livre associação. Devido a isso, há uma dificuldade maior para o leitor comum, não-iniciado, saborear todos os ingredientes de que ela se compõe (significações, ritmos, abstrações, linguagem etc.); para ele ver que o texto poético de hoje leva a muitos questionamentos, a muitas sensações, e percorre caminhos diversos e desconhecidos, o que não ocorria há pouco tempo, em que o poema, por mais plurissignificativa de que fosse composta sua linguagem, levava sempre a um referencial seguro: o alicercer do mundo real. Agora, tudo mudou: ´Certos versos/ entregam-se aos degraus do vento.´
Diante, agora, de desafios como este - de ler significativamente ´degraus do vento´ - é que o leitor se depara. A escrita de Carlos Augusto Viana, por isso, cria uma zona de silêncio entre a imagem e sua projeção no real. Para aqueles que conseguem abstrair-se do real, as metáforas são significativas; para os que querem um significado pronto, racional, realista, ela esvazia-se e passa a valer somente pelo conteúdo sonoro. É aqui que reside a zona de silêncio que, apesar de ter o mérito da criatividade e o da reinvenção dos significados, abrindo, para o leitor iniciado, um colorido leque de interpretações, pode cair no campo perigoso e absoluto do hermetismo, cujo complexo trabalho de leitura pode afastar o leitor não-iniciado, como a ele já nos referimos.
Todo esse material abstrato já faz parte da poética de Carlos Augusto Viana (em seu primeiro livro, ´Primavera Empalhada´, já há sinais disso), e continua sendo uma das forças da sua poesia. Por outro lado, e também compondo sua poética, ele soube tirar lições dos mestres, principalmente de Bandeira, de Drummond e de Quintana: ´Talvez por isso / Esse meu faminto hábito / De remover cestos de escritórios / Ou de apanhar cadernos na rua. (´Bolsos Vazios´) Esse movimento de aproximação e de afastamento do real também faz parte do procedimento de construção do seu discurso poético.
O título do livro de Carlos Augusto Viana talvez seja uma ironia a tudo isso: côdea quer dizer crosta, casca, parte exterior; vem do latim cutina, de cútis, pele, invólucro; é do século XIV sua origem. É um termo, portanto, que é utilizado para identificar a parte exterior, mais superficial das coisas, o que é incoerente para a sua poesia, pelo o nível de sofisticação dos poemas - é aqui que inicia o trabalho do leitor. (...)
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=527482