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Postado por Ivan Maurício em 22/01/2008 01:55

CARLOS FERNANDO (1)
Carlos Fernando entrou na profissão de músico meio por acaso. Apesar de ter iniciado a carreira pelo teatro, ele costuma dizer que já nasceu interessado em música. "Comecei fazendo teatro em Caruaru, por volta dos 18 anos, com Luiz Mendonça. Depois, vim para Recife e participei do MCP (Movimento de Cultura Popular), ainda com Luiz. Com o golpe, o MCP acabou e ficou aquele marasmo cultural em todo o país", conta o artista.

A idéia da profissionalização só veio quando iniciou a parceria com Geraldo Azevedo, no início da década de 60. "Era uma época efervescente. Vários artistas como Marcelo e Toinho, do Quinteto Violado, Teca Calazans, Naná Vasconcelos, Jomard Muniz de Britto, entre outros, faziam parte da cena cultural. Comecei como assistente de produção do primeiro disco de Alceu e Geraldo, gravado em 74", conta.

Antes disso, porém, veio a primeira música: Aquela Rosa. A canção conquistou o primeiro lugar no Festival de Música Popular do Nordeste, promovido pela Revista Manchete e TV Jornal do Commercio. "Jomard (Muniz de Britto) já havia me falado de uma cara lá de Petrolina que vinha fazendo umas músicas e tal... Então numa festa ele me apresentou a Geraldo. Na época, ele queria fazer arquitetura. Pouco tempo depois escrevi uma peça, chamada A Chegada de Lampião no Inferno, baseada no cordel de José Pacheco; mostrei a Geraldo e ele falou que tinha achado parecido com letra de música e perguntou porque eu não escrevia uma letra. Acabei escrevendo e depois mostrei a ele, que musicou", explica Carlos Fernando.

A música foi gravada por Teca Calazans, num compacto pela gravadora Rozemblit, selo Mocambo. Naná Vasconcelos, Gemerino e Marcelo (Quinteto Violado) participaram da gravação. Até hoje, Aquela Rosa é considerada um dos melhores trabalhos da dupla. A canção fala de um Carnaval imaginnário no Recife, no qual as pessoas, que brincavam nos corsos, jogavam rosas umas para as outras. "Na verdade, o que a gente jogava era pitomba, que tem safra sempre na época do Carnaval. O que eu fiz foi substituir os caroços pelas rosas", diz.

Ao mesmo tempo em que inaugurou a parceria entre Carlos Fernando e Geraldo Azevedo, Aquela Rosa, funcionou como uma espécie de alavanca na carreira de ambos. "Eliana Pittman participou do festival e acabou convidando Geraldo para participar da banda dela. Então, ele foi embora para o Rio com Eliana", afirma o compositor. Depois, foi a vez do próprio Carlos Fernando fazer as malas e ir morar na Cidade Maravilhosa. Afinal, até bem pouco tempo, a região Nordeste não estava para peixe nenhum. Melhorou um pouco depois da vinda do Mangue Beat, mas o eixo Rio-São Paulo ainda continua fimcionando como o caminho das pedras para os artistas.

"Conheci Alceu em 69. Trocamos músicas e ficamos amigos. Em 74 fomos morar no Rio. Lá, Geraldo conheceu Alceu e ficamos trabalhando juntos. Trabalhei como assistente de produção no primeiro disco que eles fizeram em dupla", detalha Carlos Fernando. O próximo passo foi a criação da série Asas da América, em 1981. "Eu sonhava em fazer o frevo voar, sair da Pracinha do Diário e voar pelo mundo todo", ressalta o compositor.

SÉRIE - Carlos Fernando concretizou seu sonho. Em 18 anos de vida, o projeto já rendeu oito discos. O repertório dos trabalhos é bem variado e inclui desde frevos inéditos a grandes sucessos do Carnaval. "No primeiro trabalho fizemos os hinos do Siri na Lata, do Eu Acho é Pouco, do Clube da Farra. Outro momento inesquecível é Caetano Veloso cantando o hino do Batutas de São José", relembra o produtor.

As parcerias em todos os trabalhos são inúmeras. Além de Geraldo e Alceu, Lenine, Don Tronxo e Rubinho Valença já assinaram composições com Carlos Fernando. "Só não consegui ainda fazer uma música com J. Michiles. Gostaria muito de trabalhar com ele", assinala o artista. (...)

http://www2.uol.com.br/JC/_1999/0402/cc0402a.htm