Postado
por
Ivan Maurício
em 12/09/2007 14:14
CATULO DA PAIXÃO CEARENSE (1)
Catulo ganhou fama e dinheiro,
mas sua fortuna foi
a paixão popular
O presidente pede silêncio aos convidados. Não quer perder um só verso do poeta e cantor, que o povo adora. Presidente: Nilo Peçanha. Cantor: Catulo da Paixão Cearense. Estamos na primeira década do século 20 e Catulo conseguiu o impossível: levar o violão, instrumento "de malandro", para o salão-mor das elites, o Palácio do Catete.
Catulo nasceu em São Luís do Maranhão a 8 de outubro de 1863. Menino, muda para o sertão do Ceará, que o marca profundamente e seria tema principal de sua obra. Aos 17 anos, segue para o Rio. Funda um colégio no bairro da Piedade e leciona línguas.
Flautista e violonista, torna-se conhecido pelos recitais e serestas. Suas poesias com cheiro de terra falam dos amores e infortúnios de nossa gente dos sertões. Mário Pinheiro, Eduardo das Neves, Cadete, Vicente Celestino e outros cantores gravam suas modinhas e seus versos espalham-se pelo país.
Pôs letras em canções do parceiro João Pernambuco, sucessos como Caboca di Caxangá e a imortal Luar do Sertão.
Conversador, capaz de tomar litros de cerveja sem se alterar, Catulo recebia visitas de pijama e chinelo. Quando a calvície ameaçou, antecipou-se: raspou a cabeça. Fazia barba e cabelo em si mesmo, sem ajuda de espelho.
Ganhou fama e dinheiro, mas morreu pobre, em 1946. Tinha cedido seus direitos autorais a um amigo. A fortuna de Catulo foi a paixão popular.
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