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Postado por Ivan Maurício em 17/03/2008 03:49

DOM VITAL (1)
Vital Maria Gonçalves de Oliveira, bispo capuchinho brasileiro, nasceu em 27 de novembro de 1844, no Engenho Aurora, Pedras de Fogo, freguesia de Itambé, Pernambuco, divisa com a Paraíba.

Filho do Capitão Antonio Gonçalves de Oliveira e de D. Antônia Albina de Albuquerque, D.Vital iniciou seus estudos sob a direção do Padre Antonio Generoso Bandeira, na Escola Pública de Itambé. Em seguida, mudou-se para o Recife, onde estudou no Colégio Benfica, que era dirigido por sacerdotes.

Foi aluno destaque e logo conquistou a estima dos mestres e colegas. Entrou para o Seminário de Olinda e recebeu a tonsura (cerimônia religiosa em que o bispo dá um corte no cabelo do ordenado ao conferir-lhe o primeiro grau do clericato) das mãos de D. João da Purificação, em 1861, merecendo a distinção de ir estudar Teologia no Seminário de Issy, em Paris, onde ficou até 1863, quando entrou para o Convento dos Capuchinhos, em Versailles.

Em 1868, concluiu seus estudos sacerdotais em Toulouse, na França. Retornado ao Brasil, ensinou Filosofia no Seminário Maior de São Paulo.

Em 1871, D. Vital foi escolhido pelo Imperador D. Pedro II para ser o bispo de Olinda. Em maio de 1872, com apenas 27 anos, D. Vital assumiu a sua Diocese, sendo recebido com solenidade e tomando posse de seu cargo na Igreja do Espírito Santo. Logo iniciou campanha contra a Maçonaria, o que originou a chamada Questão Religiosa.

Nessa época, a Maçonaria era proibida pelo Papa aos católicos. Todavia, no Brasil, a Maçonaria atuava normalmente e era seguida pela maioria das personalidades do Império e até havia prestado relevantes serviços no processo de independência do Brasil.

D.Vital encontrou na Diocese muitos padres maçons e confrarias governadas por maçons, em cujas mãos estavam as chaves das igrejas e até as do sacrário. O próprio Primeiro Ministro, da época, o Visconde de Rio Branco (José Maria da Silva Paranhos) era Grão- Mestre da Maçonaria. Por ocasião das comemorações da Lei do Ventre Livre, a Maçonaria organizou , no dia 2 de março de 1872, uma festa que foi prestigiada por grande número de pessoas.

Falaram diversos oradores e entre eles o Padre Almeida Martins, que fez um discurso em perfeito estilo maçônico, publicado nos jornais e divulgado pelo Brasil, causando um grande escândalo. Em decorrência desses acontecimentos o Padre Almeida foi punido pelo Bispo do Rio de Janeiro, D. Pedro Maria de Lacerda, com a suspensão das suas funções eclesiásticas.

Por este ato, as Lojas maçônicas declararam-se ofendidas e a 16 de abril do mesmo ano, realizaram uma assembléia geral para tomar resoluções sobre o caso. O próprio chefe do governo dirigiu a assembléia e propôs:

1. Iniciar pela imprensa uma campanha contra os bispos e a igreja.
2. Convidar todos os maçons dissidentes e se unirem.
3. Recolher fundos para as despesas da luta.

Fundaram-se novos jornais, órgãos declarados da maçonaria. Os principais foram: A Família, no Rio de Janeiro; Correio Paulistano, em São Paulo; O Maçom, no Rio Grande do Sul; O Pelicano, no Pará; A Fraternidade, no Ceará; A Labarum, em Alagoas; A Família Universal e a Verdade, no Recife.

O governo e depois o Barão de Penedo, acusaram D. Vital de ter perturbado o Brasil. Mesmo antes da chegada de D. Vital ao Recife, a imprensa procurou semear desconfiança contra o novo bispo, chamando-o de homem perigoso e frade de espírito inquisitorial.

D. Vital iniciou, com apoio do bispo D. Antonio Macedo Costa, campanha contra a maçonaria, impondo restrições às confrarias, cujos membros foram convidados a abandonar a maçonaria, ficando suspensos os que não o fizessem.

As Irmandades suspensas por D. Vital, apelaram para a Corte. O bispo foi interpelado mas negou-se a explicar ao Ministro Visconde do Rio Branco a razão de seus atos (...)