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Postado por Ivan Maurício em 19/09/2007 22:08

FIRMINO ALVES (1)
Firmino Alves, o jovem que fundou Itabuna
e mudou a história tão logo chegou nas terras do sul da Bahia. Isso depois que seu tio, Félix Severino de Oliveira, ou do Amor Divino, mandou buscar seus irmãos com as famílias em Sergipe e deu a cada um deles uma área de terras lá para as bandas de um lugarejo chamado Burundanga.
Ali, muitas árvores foram derrubadas para dar lugar à construção de casebres e, um pouco mais tarde, a primeira plantação de cacau da história de Itabuna, por volta de 1867. Foi a partir daí que surgiu o arraial de Tabocas.
Uma terra de gente rústica, mas decidida e disposta a transformar a mata virgem em um lugar habitável e cada vez mais próspero.
Hoje batizada Itabuna, é uma das principais cidades da região cacaueira, com mais de 200 mil habitantes. Mas o início não foi fácil e muito suor foi derramado nos cabos das enxadas. Trabalho nunca faltou. Nem esperança depositada numa terra fértil e produtiva.

Líder
Em 1874, com a morte de José Alves, seu filho Firmino ficou com a responsabilidade de cuidar da família, além de administrar a casa comercial no antigo "Pouso de Tropas" (na Burundanga) e as fazendas de cacau que começavam a dar os primeiros frutos.
De acordo com pesquisa do historiador Adelindo Kfoury, o jovem Firmino venceu todos os desafios e foi assim que surgiu um líder carismático, a quem se deve a consolidação da fundação do município e cidade de Itabuna.
Embora muito jovem, Firmino mostrava uma capacidade de trabalho impressionante. Arguto e visionário, com 27 anos de idade resolveu mudar-se para o arraial de Tabocas, onde percebia melhores condições para progredir.
Tratou de construir uma casa residencial e outra, vizinha, para onde transferiu o armazém que possuía na Burundanga. Bom administrador, Firmino prosperava e começou a tomar gosto pela política. Comprou mais algumas fazendas, entre elas a Boa Esperança, a maior de todas.
Em "Jequitibá da Taboca", o escritor Oscar Ribeiro Gonçalves conta que o negociante Firmino Alves, "cristalizando-se no convite que formulara, mandou chamar de Salvador para o arraial homens de letras que trouxessem algo de civilização para esta zona”.
Dentre os recém-chegados se destacava o engenheiro Olynto Batista Leone, pela tradição política de seu irmão, o Dr. Arlindo Leone, que na capital gozava de grande prestígio junto ao então governador, além de ser advogado de renome.

Crescimento
Antes de distribuir convites a esses cidadãos, Firmino construiu uma casa para hospedar os novos habitantes, porque não havia em Tabocas hotéis nem pensões.
A casa que serviu de hospedaria foi construída na rua da Areia (hoje Miguel Calmon). Já em Tabocas, o primeiro trabalho de Olynto Leone foi o de medição de terras.
Não demorou muito para ingressar na política. Por volta de 1879, o arraial já contava com três casas residenciais, uma rancharia e uma escola, a primeira de Tabocas, tendo como professora Maria Rosa de Jesus, conhecida por "Rosa Camarão", apelido que recebeu porque, sendo branca, ficava com a pele vermelha com facilidade.
Preocupado com a falta de profissionais, o fundador de Itabuna trouxe para cá médicos, professores, advogados, alfaiates, pedreiros, dentre outros.
Ele lutou tanto para o desenvolvimento do arraial que durante anos chegou a oferecer mantimentos grátis para quem aceitasse o desafio de desbravar a mata e plantar cacau.
Adelindo Kfoury conta, em seu livro "Itabuna, Minha Terra", que passando por Salvador o coronel Firmino Alves deixou ordens com seus correspondentes, Bessa Ribeiro e Domingos da Silva, para que fornecessem passagens, por sua conta, para quem fosse qualificado e desejassem vir trabalhar em Tabocas. (...)

http://www2.uol.com.br/aregiao/art/hist/firminoalves.htm