FRANSOUFER (1)
Nascido em Jaburu, povoado de Bequimão, Francisco Sousa Ferreira, é um apaixonado pela arte. O seu nome artístico é a mistura dos seus três nomes, resultando em Fransoufer. Aos 49 anos, o artista plástico, além de pinturas e esculturas, produz também tecelagem.
Em seus trabalhos gosta de retratar a fauna e flora. Na pintura ele usa óleo sobre tela, na escultura modela a argila no formato do que deseja e tira a fôrma em gesso, que é chamada “perdida” e depois faz a cópia da original em fibra de vidro.
Seu talento iniciou cedo, pois, na sua infância, sua mãe o levava para lavar roupa no rio. E nos seus mergulhos, encontrava no fundo do rio a tabatinga (espécie de solo que se assemelha a argila) e fazia caretinhas com ela.
Mas, essa inclinação para a arte só foi percebida, quando, entre 11 e 13 anos, foi transferido da escola que estudava, na sua cidade, para o Grupo Escolar Alberto Pinheiro, em São Luis. Na escola uma professora da disciplina Trabalhos Manuais viu que ele tinha habilidade e o incentivou a fazer trabalhos no próprio colégio, depois na Biblioteca Benedito Leite e em pequenas galerias, e assim ele foi se destacando.
Aos 17 anos decidiu expandir seu trabalho e foi em busca disso em Brasília/DF. Lá fez um curso de desenho, no Elefante Branco, atual UNB (Universidade de Brasília), e começou a participar de exposições e também a ganhar prêmios. E foi no Centro-Oeste, que se tornou conhecido.
Em visita ao Museu do Prado, em Madri, ele se voltou para a escultura. Lá ele viu uma exposição de artes de cerâmica, produzidas por Pablo Picasso. “Nesse dia eu pensei, se ele pode fazer, eu também posso. Então viajei para a minha terra natal e montei um olaria”, explica.
Esse ateliê foi montado em uma Casa de Farinha, localizada no fundo de sua casa, em Bequimão. É lá que ele desenha suas telas, e cria suas esculturas e demais trabalhos, é lá a sua fonte de inspiração.
Em suas obras é sempre retratada a realidade e beleza de sua cidade. Durante todo esse tempo só fugiu dessa temática quando se virou para o surrealismo. Aliás, Fransoufer experimentou varias técnicas como o óleo-sobre-tela, guache, aquarela, acrílico sobre duratex, colagens e óleo espatulado, mas retornou amadurecido a técnica original.
Inclusive na época que estava em Brasília mantinha uma enorme ânsia de conhecer novos lugares, e com a ajuda do pintor Jô Campos, começou a retratar figuras do folclore maranhense.
Quando voltou ao Maranhão conheceu o húngaro Nagy Lajos, que influenciou decisivamente a carreira do jovem pintor, ensinando-lhe a manusear o pincel, a dosar as cores, a usar a luz, e o orientou, até mesmo na escolha dos temas com os quais pudesse melhor exprimir-se.
Mas as suas origens teimavam em voltar, até que ele se rendeu, e passou a retratar cenas guardadas no subconsciente e que marcaram a sua infância, iniciando o Figurativismo regional ao qual se mantém fiel até hoje. “Costuma-se dizer que o homem é produto do meio, comigo não foi diferente. No meu rincão vivi minha infância absorvendo cenas de cultura popular regional, como as brincadeiras de bumba-meu-boi, tambor-de-crioula, forró caixa, tambor de mina, festejos do Divino e muitas outras manifestações culturais que ficaram no subconsciente e hoje, na condição de homem adulto, procuro retratar em minhas telas de forma espontânea, com um desenho solto e cores que me vão na alma ensolarada de eterno menino da Baixada Maranhense”, relata.
Responsabilidade Social
Ao retornar a sua terra natal depois de longas viagens, e finalmente montar o seu ateliê, juntou vários curiosos, e ele começou a dar bolinhas de barro para eles e assim foi em frente e ele incentivou e isso se espalhou. A partir daí, resolveu realizar trabalhos comunitários em sua cidade natal. E deu um nome a todos os trabalhos feitos pelos moradores de Bequimão. (...)
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