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Frei Damião (2)

Um  símbolo da fé nordestina
No próximo dia 31, será celebrado o sétimo aniversário da morte de Frei Damião, cujo processo de beatificação e canonização foi aberto no ano passado
MarcosEugênio
Repórter
O Nordeste brasileiro, região em que os problemas sociais seculares ainda são gritantes, especialmente na faixa do semi-árido, onde o ciclo das estiagens tantos transtornos causam à sua população, se notabiliza por uma característica forte, a religião, sentimento espiritual que enche a alma do povo humilde de confiança de que virão dias melhores. O arraial de Canudos, na Bahia, 1870, com Antônio Conselheiro; o Pe. Cícero, no Juazeiro do Norte-CE, são alguns exemplos da mística que envolve a fé do nordestino, alicerçada nos ensinamentos do Livro Sagrado. Considerado sucessor de Padim Ciço, que faleceu em 1934, surge três anos antes deste fato, a figura do capuchinho Frei Damião de Bozzano. Em suas missões, multidões se aglomeravam para ouvir suas pregações, seus conselhos. Cerca de 800 cidades nordestinas tiveram o privilégio de receber o capuchinho italiano.
No próximo dia 31 será celebrado o sétimo aniversário de sua morte. De 1990 a 1997 Frei Damião, que chegou a servir no exército italiano por alguns meses durante a Primeira Guerra Mundial, atingiu o número de 19 internações no decorrer desses oito anos. Viveu até os 98, dos quais 66 no Brasil, levando o Evangelho ao povo. Para relembrar sua história, sua missão evangelizadora, o Convento de São Félix de Cantalice, que cuida do processo de canonização de Bozzano, e onde "Santinho", como também era chamado, está sepultado, elaborou vasta programação, de 27 a 31 deste mês, que deve atrair fiéis de todas as regiões do país, já que a média tem sido de 100 mil visitantes por ano. Uma das participações especiais será a do poeta Oliveira de Panelas, que cantará no dia 30 com o Coral do TRT daquela cidade, mesmo dia em que Dr. Blancard Torres, médico de Frei Damião nos últimos sete anos de sua vida, lançará o livro "O Médico e o Santo".
Entre 1971 a 1975 foram catalogados cerca de 80 milagres atribuídos a Frei Damião, em levantamento feito por seminaristas do ITR - Instituto de Teologia do Recife. O material, que poderia fazer parte do processo de sua canonização acabou sendo espalhado entre diversas instituições e ninguém sabe o paradeiro dos relatos dos milagres do frei. O teólogo escritor, Abdalaziz Moura, que participou da pesquisa, comentou à imprensa que o objetivo era documentar a forma como o povo via o frade. Em seu livro Frei Damião e os impasses da religião popular, Moura traz vários relatos dos milagres colhidos na pesquisa do ITR, alguns ocorridos na Paraíba, como a cura de paralíticos e pessoas desenganadas pelos médicos.
O processo de beatificação e canonização de Frei Damião foi aberto ano passado, no sexto aniversário de sua morte, 31 de maio, pelo arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso, em missa celebrada no Convento São Félix. Para que o franciscano seja proclamado santo pelo Vaticano, é necessária a confirmação científica de três milagres seus, através de testemunhas. Se for ratificado, o processo vai à Roma pelo Instituto de Causas e Santos, que analisa a documentação, a qual dará subsídio ao Papa para elegê-lo santo.

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