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FREI TITO (1)
Tito de Alencar Lima nasceu no dia 14 de setembro de 1945, em Fortaleza. Envolvido no compromisso político através do evangelho, assumiu a direção da Juventude Estudantil Católica em 1963 e foi morar em Recife. Em outubro de 1968, Frei Tito foi preso por estar participando de um congresso clandestino da União Nacional dos Estudantes em Ibiúna. Foi fichado pela polícia e tornou-se alvo de perseguição da repressão militar.

No início de 1970, Frei Tito foi torturado nos porões da “Operação Bandeirantes”. Na prisão, ele escreveu sobre a sua tortura e o documento correu pelo mundo e se transformou em símbolo de luta pelos direitos humanos. Em 71 foi deportado para o Chile e, sob a ameaça de novamente ser preso, fugiu para a Itália. Em Roma, não encontrou apoio da Igreja Católica, por ser considerado um “frade terrorista”. De Roma foi para Paris, onde encontrou o tão esperado refúgio, recebendo apoio dos dominicanos.

Traumatizado pela tortura que sofreu, Frei Tito submeteu-se a um tratamento psiquiátrico. Seu estado era instável, vivendo uma agoniada alternância entre prisão e liberdade diante do passado. No dia 10 de agosto de 1974, um morador dos arredores de Lyon, encontrou o corpo de Frei Tito, suspenso por uma corda. A causa da morte – suspeita de suicídio – tornou-se um enigma. Foi enterrado no cemitério dominicano Sainte Maire de La Tourrete, em L´Abresle.

Em 25 de março de 1983, o corpo de Frei Tito chegou ao Brasil. Antes de chegar a Fortaleza, passou por São Paulo, onde foi realizada uma celebração litúrgica em memória dos mortos pela ditadura de 1964: o próprio Frei Tito e Alexandre Vannuchi. Cercado por bispos e numeroso grupo de sacerdotes, D. Paulo Evaristo Arns repudiou a tragédia da tortura em missa de corpo presente acompanhada por mais de 4 mil pessoas.

“Longe de querer o resgate da memória, o que interessa é a potência de futuro encontrada no passado” – justifica Régis Lopes, ao acrescentar ainda que: “Nos nossos sonhos é necessário lembrar a paixão segundo Frei Tito, dizendo-lhe que, apesar de tudo, a história continua. Emerge, portanto, a recordação que provoca o acasalamento com o devir: memória aberta para acolher a intensidade de vida que Frei Tito deixou para nós. É com esse rumo que estamos criando, no Museu do Ceará, o Memorial Frei Tito”.

http://www.secult.ce.gov.br/MUSCE/Musce_P3.asp