Postado
por
Ivan Maurício
em 28/10/2007 16:19
GENTIL CARDOSO (3)
Gentil Cardoso
bom técnico e mau caráter
Foto do técnico Gentil Cardoso
Em 1951 estava chegando o fim do grande Vasco, apesar de que, ainda por mais dois anos, ele manteria parte do seu poderio. Quando Oto Glória assumiu o cargo de técnico encontrou mais obstáculos do que esperava. Os jogadores eram experientes, malandros, mal acostumados, difíceis portanto, sobretudo para um técnico como Oto Glória, na época um pouco ingênuo.
Mudamos a concentração de Uruçanga para uma casa do cantor Carlos Galhardo, em Jacarepaguá. Perto da casa havia uma grande mata e, no centro dela, um botequim de madeira com muita cachaça. E era apenas eu para tomar conta de todos. Resultado: alguns deles se enfiavam pelo mato e iam até o boteco encher a cara. Eu disse alguns ? Enganei-me. Eram quase todos. Os únicos que permaneciam na concentração eram o Tesourinha e o Maneca. Como não poderia deixar de ser, o campeonato foi um desastre para o Vasco.
Gentil Cardoso sucedeu a Oto Glória. Bom como técnico, mas mau como caráter. Gentil era inclusive mentiroso e falso. Tanto assim que, pelo menos naquela época, não conseguiu ficar mais de um ano no mesmo clube, ganhasse ou não o campeonato. Em 1952 houve um problema sério, quando ele tentou tirar do time titular os jogadores Augusto, Danilo, Jorge, Tesourinha, Ipojucan e outros. As mulheres desses jogadores foram São Januário e botaram ele na parede.
Com intimações como esta:
- Se nossos maridos não voltarem ao time, vamos dizer a todo mundo, inclusive a imprensa, que você anda cantando a gente.
No dia seguinte, Gentil recolocou todos no time. Ele sabia que no final do campeonato, seria substituído por Flávio Costa e fazia tudo para brilhar.
Foi nessa época que ele mandou buscar um macumbeiro na Bahia e transformou a vida de todo mundo. O pai-de-santo era doido. Seguia-nos por toda parte com uma espada de São Jorge na mão e fazia Gentil Cardoso andar com outra.
O fim de Gentil no Vasco seu deu depois de um telefone do técnico para o Nascimento do Bangu para onde ele queria se transferir. O telefone tinha extensão e, um diretor do Vasco ouviu tudo. Pouco depois, ele saiu escondido, mas quando voltou a porta estava fechada. Foi até a minha janela e chamou:
- Pombo, Pombo, sou eu, seu chefe. Abra aporta pra mim.
Eu fui até a cozinha e dei de cara com o diretor sentado atrás da porta. Ele mandou que eu voltasse para o quarto e abriu a porta. De longe a gente ouvia briga. O último jogo do campeonato foi contra o Olaria na rua Bariri.
Ganhamos por 1x0 com um gol de Sabará nos últimos minutos. Fizemos a volta olímpica com o macumbeiro exibindo sua espada e o Gentil Cardoso também. Quando ele chegou perto do túnel os dirigentes gritaram para o técnico que não adiantava festejar, ele estava despedido.
http://www.museudosesportes.com.br/noticia.php?id=15167