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GLAUBER ROCHA (3)
Críticas do Casseta aumentam vendas de DVDs de Glauber Rocha

Fonte: Portal G1

Dono de uma carreira norteada pela polêmica, o cineasta Glauber Rocha, morto em 1981, voltou ao centro do bate-boca cultural há cerca de dois meses, quando foi duramente criticado pelo humorista Marcelo Madureira, do “Casseta & Planeta”.

O ataque público do Casseta motivou defesas apaixonadas de diversas partes, mas não incomodou a filha do cineasta, Paloma Rocha. “Essa polêmica ajudou o Glauber; foi ótima para vender DVDs”, diz a herdeira do diretor do Cinema Novo, em entrevista ao G1. Ela conta que a venda de filmes de Glauber aumentou mais de dez vezes na semana da polêmica.

“É um sinal de que a porta está novamente aberta para a obra dele”, afirma Paloma, que há cerca de cinco anos se dedica exclusivamente ao resgate da produção de seu pai e ao centro cultural que leva seu nome, Tempo Glauber, no Rio de Janeiro. “O Glauber é mais reconhecido no exterior do que no Brasil; ninguém sabe quem é ele aqui”, diz, citando festivais de mais de dez países onde filmes de Glauber foram exibidos recentemente.



Mas ela acredita que essa situação está prestes a mudar: a partir deste fim de semana o clássico do diretor “O dragão da maldade contra o santo guerreiro”, de 1969, volta aos cinemas brasileiros em versão restaurada. “É uma oportunidade de o público conhecer o Brasil por meio desse épico político e poético”, afirma Paloma, que também é cineasta.

Nono longa-metragem de Glauber Rocha, “O dragão da maldade” levou o prêmio de melhor direção no Festival de Cannes na época e tem fãs declarados do calibre de Martin Scorsese. A trama gira em torno do encontro entre um matador de cangaceiros, Antônio das Mortes (personagem que de seu filme anterior, “Deus e o diabo na terra do sol”), e o criminoso Coirana, que se diz reencarnação de Lampião. O elenco reúne Odete Lara, Othon Bastos, Maurício do Valle, Hugo Carvana, Jofre Soares ainda no início de suas carreiras.

Trabalho de arqueologia

O longa retorna à tela grande 35 anos depois do incêndio que destruiu seus negativos, levados para Paris durante o exílio do diretor. “Foi um trabalho de arqueologia, em que tivemos de reconstruir o filme, recuperando fotogramas destruídos e resgatando trechos que tinham sido censurados”, conta a filha do cineasta.

O processo de restauração foi registrado pela própria Paloma Rocha e transformado em uma série de documentários, que integra a caixa de DVDs “Coleção Glauber Rocha – Fase 1”, lançada esta semana pela produtora. O conjunto inclui quatro discos duplos, com os filmes mais conhecidos do diretor: “Deus e o diabo na terra do sol”, “Terra em transe”, “O dragão da maldade contra o santo guerreiro” e “Barravento”, além dos documentários citados e outros extras.

“Acho que agora os brasileiros vão dar mais valor para a obra dele. O Glauber é um artista com uma comunicabilidade muito atual; as questões que ele levantava continuam aí, no nosso dia-a-dia. Ele queria provocar a invenção da liberdade; por isso, a obra dele é uma luz, que às vezes ilumina, às vezes ofusca.”

Da Redação do pe360graus.com

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