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Postado por Ivan Maurício em 31/03/2008 08:06

GREGÓRIO BEZERRA (1)
Gregório Bezerra nasceu na cidade de Panelas de Miranda (a 200km de Recife) em 13 de março de 1900, filho de Lourenço Bezerra e Belarmina Conceição. Desde jovem vivenciou problemas brasileiros, especialmente aqueles ligados à seca, que castigava os lavradores pobres da região onde morava. Desde os 4 anos de idade já trabalhava na lavoura e, quando ficou órfão de pai e mãe, aos oito anos de idade, passou a ser escravo doméstico. Fugiu depois de dois anos de maus-tratos. Viu muitos de seus amigos morrerem de fome. Assim como muitos deles, era sem-terra, sem-teto e analfabeto. Comia nos dias em que conseguia trabalho. Entre as várias atividades que exerceu, uma delas foi a de jornaleiro. Embora não soubesse ler os jornais que ele mesmo vendia, seu interesse pela política pôde ser despertado na medida em que conhecia a realidade brasileira de uma forma mais ampla na medida em que os seus colegas liam as notícias de jornais para ele.

Em um pequeno histórico realizado sobre as greves no Brasil, vimos que uma das greves mais marcantes e importantes para a nossa história foi a de 1917. Nesta greve, Gregório Bezerra começa a atuar ativamente, lutando com diversos trabalhadores pela jornada de 8 horas e em favor da Revolução Bolchevique. Neste episódio foi preso, acusado de perturbar ordem pública e cumpriu 5 anos de prisão. No ano de 1922 ele alista-se no Exército e decide se alfabetizar para entrar na Escola de Sargentos. Deixava muitas vezes de comer para pagar seus professores. Já a partir de 1927 passou a ler diversas obras marxistas e no ano de 1929 consegue entrar para a Escola de Sargentos. Gregório Bezerra casa-se neste mesmo ano com Maria da Silva, com a qual teve um casal de filhos. No ano seguinte ele filia-se ao Partido Comunista Brasileiro e passa a proteger militantes perseguidos pelo movimento integralista da época.

Em 1932 Gregório recebeu a missão de comandar um exército de analfabetos e flagelados da seca, que combateu os Paulistas na Revolução Constitucionalista. Participante da Aliança Nacional Libertadora (ANL), sua principal tarefa foi filiar o maior número militares à frente que tinha como principais objetivos libertar o país dos exploradores e da corrupção do governo, através de uma insurreição popular. Gregório obteve sucesso nesta tarefa, além de conseguir centenas de fuzis e munições para a frente. Teve a incumbência, ainda, de deflagrar o movimento revolucionário em Recife. Liderou a tomada do Quartel General e vários pontos importantes da cidade. Com o movimento derrotado, Gregório foi preso, espancado e barbaramente torturado. O mesmo aconteceu com o seu irmão José Lourenço Bezerra, que morreu assassinado, deixando mulher e cinco filhos menores.

Por participar dos eventos ligados à insurreição comunista, Gregório foi condenado a 27 anos de prisão. Em 1942 foi transferido para a Ilha Grande. No ano seguinte, quando passou para o presídio Frei Caneca, conheceu Luís Carlos Prestes. Saiu da prisão em 1945 e participou do comício de Prestes, no estádio Vasco da Gama. Recebeu do PCB a tarefa de reorganizar o partido em Pernambuco. Lá pôde encontrar novamente a sua família. Nas eleições de dezembro do mesmo ano, Gregório é o Deputado Federal mais votado para a Constituinte. Muitas questões que hoje se apresentam como direitos adquiridos ou que ainda vigoram entre as lutas da atualidade, foram defendidas por Gregório Bezerra no período em que atuou na Constituinte. Podemos citar, por exemplo, o direito de greve e a autonomia sindical; direito de votos aos analfabetos e aos militares; denúncia da exploração do trabalho, principalmente infantil; defesa da construção de creches para as mães solteiras e trabalhadoras, assim como sua obrigatoriedade em escolas, postos médicos, favelas e locais de trabalho. Mas todas estas lutas estavam diretamente vinculadas à defesa do socialismo para a solução dos problemas brasileiros. (...)

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