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Postado por Ivan Maurício em 09/12/2007 14:37

HELONEIDA STUDART (1)
A ex-deputada estadual Heloneida Studart, 75 anos, morreu às 8h30 desta segunda-feira (3), de parada cardíaca, na Casa de Saúde São José, no Humaitá, Zona Sul do Rio. Heloneida passou por uma cirurgia no coração na semana passada. As informações são da assessoria de imprensa da ex-parlamentar.

O velório de Heloneida será à tarde na Assembléia Legislativa do Rio (Alerj), no saguão Getúlio Vargas, no Palácio Tiradentes. Segundo informações da família, o corpo será cremado na terça-feira (4) no Cemitério do Caju, na Zona Portuária do Rio.

Jornalista, escritora, política, feminista e mãe, Heloneida atuou como deputada na Alerj por seis mandatos.

Ela foi uma das pioneiras do movimento feminista no Brasil. Em 1975, criou o Centro da Mulher Brasileira (CMB), uma das primeiras entidades feministas do país que defendia o direito das mulheres na época da Ditadura.

Heloneida participou do chamado "Lobby do Batom", que defendeu os direitos trabalhistas das mulheres, como os 120 dias de licença-maternidade.

Este ano, Heloneida foi nomeada diretora do Centro Cultural da Alerj e do Fórum de Desenvolvimento Estratégico do Rio.

http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL202146-5606,00.html

HELONEIDA STUDART

Semira Adler Vainsencher

semiraadler@gmail.com

Pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco

Heloneida Studart nasceu em Fortaleza, Estado do Ceará, no dia 9 de abril de 1932.

Seus pais se chamavam Edite Studart e Vicente Soares.

Pelo lado materno, descendia do historiador Barão de Studart e, pelo paterno, do líder abolicionista Antonio Bezerra de Menezes, um geógrafo famoso.

Aos nove anos, estudando num colégio de freiras - o Imaculada Conceição de Fortaleza – ela escreveria uma história infantil intitulada A Menina Que fugiu do Frio. A partir daí, passou a dizer que seria uma escritora no futuro.

Com dezesseis anos, Heloneida foi morar no Rio de Janeiro, estreando como colunista no jornal O Nordeste, onde suas opiniões já causavam polêmicas na época. De Fortaleza, ela trouxe os originais de seu romance A primeira pedra, que seria publicado em São Paulo, em 1953, pela Editora Saraiva. Quatro anos depois, viria o romance Dize-me o teu nome, que foi premiado pela Academia Brasileira de Letras e laureado com o prêmio Orlando Dantas, do jornal Diário de Notícias. Em 1960, ela foi trabalhar no jornal Correio da Manhã e, por várias décadas, atuou no jornalismo, apesar de ter se formado em Ciências Sociais pela Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro. Posteriormente, ela trabalhou dez anos como redatora da revista Manchete.

Heloneida envolveu-se com as lutas populares e foi eleita presidente do Sindicato das Entidades Culturais (Senambra), em 1966. No entanto, por fazer oposição à ditadura militar, foi destituída do cargo e presa em março de 1969. Do cárcere, no presídio São Judas Tadeu, brotaram os roteiros de seus futuros trabalhos Quero meu filho e Não roubarás. Em meio àquele ambiente de repressão, ninguém imaginaria que, em anos vindouros, aqueles trabalhos seriam exibidos com sucesso pela TV Globo.

Com o fim do regime militar, surgiriam três novos romances, chamados pela própria autora de Trilogia da tortura: O pardal é um pássaro azul (que já foi traduzido em quatro idiomas); O estandarte da agonia (inspirado na vida de sua amiga Zuzu Angel); e O torturador em romaria.

A jornalista escreveu sobre a condição feminina, a convite da Editora Vozes, publicando os ensaios Mulher objeto de cama e mesa, obra que vendeu 280 mil exemplares e se transformou em uma espécie de bíblia do feminismo brasileiro; e Mulher, a quem pertence seu corpo? Esses dois trabalhos estão, respectivamente, na 27ª. e 6ª. edições.

Em 1978, com 60 mil votos, Heloneida seria eleita deputada estadual do Rio de Janeiro.(...)