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Postado
por Ivan Maurício
em 09/10/2007 00:06
HERMILO BORBA FILHO (3)
Hermilo Borba Filho (Engenho Verde, Palmares PE 1917 - Recife PE 1976). Dramaturgo, encenador, professor, crítico e ensaísta. Fundador do Teatro do Estudante de Pernambuco e do Teatro Popular do Nordeste, é um dos homens de teatro mais atuantes no Nordeste brasileiro
Começa a carreira na década de 30, trabalhando como ponto do Grupo Gente Nossa, de Samuel Campelo, em Pernambuco. Na década de 40, ingressa no Teatro de Amadores de Pernambuco, TAP, traduzindo peças e atuando nos espetáculos. Insatisfeito com a linha de repertório do grupo, funda, em 1945, o Teatro do Estudante de Pernambuco, TEP, escolhendo para a estréia uma peça antinazista, O Segredo, de Sender, em 1946 e, no ano seguinte, O Urso, de Anton Tchekhov. Mais tarde, o TEP monta uma barraca em praça pública, onde realiza vários espetáculos, entre eles, as primeiras peças de Ariano Suassuna e do próprio Borba Filho.
Em 1950 vai para São Paulo, onde trabalha como jornalista, diretor de teatro e faz parte da Comissão Estadual de Teatro. Volta para o Recife, nos anos 60, e funda o Teatro Popular do Nordeste, com o objetivo de abrir caminho para a profissionalização do teatro em sua região.
Na capital pernambucana, dirige, entre outras, A Farsa da Boa Preguiça, A Pena e a Lei, Processo do Diabo, A Caseira e a Catarina, peças de Ariano Suassuna, encenadas em 1960. A dificuldade financeira interrompe a atividade.
Hermilo Borba Filho funda, então, o Teatro de Arena do Recife, onde encena Marido Magro, Mulher Chata, de Augusto Boal, 1960, e Eles Não Usam Black-Tie de Gianfrancesco Guarnieri, 1961.
Em 1966, retoma as atividades do TPN com O Inspetor, recriação de O Inspetor Geral, de Nicolai Gogol, a partir da teatralidade e das técnicas das festas populares nordestinas. Dirige em seguida O Santo Inquérito, de Dias Gomes, e Inimigo do Povo, de Henrik Ibsen, ambos em 1967, e Dom Quixote, de Antonio José, o Judeu, 1969. No ano seguinte, encena Cabeleira Vem Aí, de Silvio Rabelo, Bum, de Osman Lins e José Bezerra, Município de São Silvestre, de Aristóteles Soares, O Pagador de Promessa, de Dias Gomes, O Cabo Fanfarrão, de Hermilo Borba Filho, Antígona, de Sófocles, e Andorra, de Max Frisch.
Para contornar o déficit permanente da companhia, Borba Filho tenta atrair os operários e os estudantes, faz convênios com entidades do comércio e da indústria, mas não consegue pagar as dívidas e fecha o teatro de 90 lugares.
Em entrevista para o Serviço Nacional de Teatro, SNT, questionado sobre se algum dia ganhou dinheiro com teatro, Hermilo Borba Filho se refere à montagem de Dercy Gonçalves para sua versão de A Dama das Camélias como exemplo único, e acrescenta: "mas, de repente, verifiquei que a prostituição era muito pesada, e parei".1
Em 1957, recebe prêmio como diretor revelação pela Associação Paulista de Críticos Teatrais, APCT, com a peça Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna. Entre 1959 e 1968, é sucessivamente premiado como diretor pela Associação de Críticos Teatrais de Pernambuco.
Exerce atividades culturais em muitas entidades: Serviço Nacional de Teatro, Secretaria de Educação e Cultura de São Paulo, Secretaria de Educação e Cultura de Pernambuco, Escolinha de Arte do Recife, Centro Cultural Luiz Freire. Na Universidade Federal de Pernambuco, cria e ministra a cadeira de história do teatro no Curso de Arte Dramática, em 1958; funda o Movimento de Cultura Popular - MCP, com Paulo Freire, Ariano Suassuna e outros; na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, colabora para a implantação do Curso de Teatro, em 1967; na Universidade Federal da Paraíba, ministra a disciplina de história do espetáculo; no Centro de Comunicação Social do Nordeste - Cecosne, leciona história do espetáculo. Em 1969, cria Teatroneco, dedicado ao teatro de bonecos.
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