JAIRO ARCOVERDE (1)
Foto: Gil Vicente/Divulgação
Há 45 anos o artista plástico pernambucano Jairo Arcoverde vendia sua primeira tela. Para aquele jovem artista, estudante da conceituada Escola de Belas Artes do Recife, a data representou a descoberta não só de uma profissão, mas uma vocação.
A exposição traz o melhor de cada período do artista com representações de cada técnica dominada por ele, como a pintura, o desenho e a cerâmica. Aliás, sua intimidade com a cerâmica ganhou novas dimensões, técnicas e inspirações no período em que o artista morou em Caruaru, entre 1980 e 1996, ao lado dos filhos e da mulher, a ceramista Betty Gatis. Sua casa e ateliê, no Alto do Moura, logo virou ponto de encontro e referência artística para a arte local de Pernambuco e do Brasil.
Tendo realizado inúmeras exposições individuais e coletivas no Brasil no Exterior, Jairo também é reconhecido pelo seu trabalho inovador na pintura abstrata brasileira. "Apesar de ter feito Escola de Belas Artes, eu criei um alfabeto pictórico. Eu não poderia partir para o academicismo porque o meu organismo renegava, mas precisava fazer uma coisa no mesmo nível da melhor figuração, pelo menos para a crítica. Foi aí que descobri Paul Klee, Miró e toda a pintura abstrata européia em livros. Percebi que gostava daquilo, que aquilo era o que me enchia a vista, aquela pintura com jeito de trabalho infantil, com cara de criança, ou uma pintura dos loucos. A partir daí eu fui desenvolvendo a minha linguagem.", explica Jairo.
As obras foram selecionadas pelo artista plástico Raul Córdula que, além de curador, fez o texto de abertura do catálogo. Já Maria Amélia Couto Córdula fez o projeto expográfico (definição da disposição das obras no espaço de exposição). A produção executiva ficou em família. O fotógrafo e produtor Gil Vicente (genro) e a artista plástica Marisa Gatis (filha de Jairo) tocam o projeto que, a partir da exposição em Caruaru, valoriza a interiorização da cultura proposta pela Fundarpe.
http://www.caruaru.pe.gov.br/interna.asp?idmat=1976
"No meu trabalho, não existe uma preocupação com escolas, vanguardas e regionalismos, que se valem de uma temática alienada onde o que entra em jogo não é a qualidade inerente ao quadro mas, fatores como modismo, identificação com o trivial, sensualidade senil, maneirismo ultrapassado e outros fatores que diminuem a arte e facilitam um mercado inescrupuloso e mal informado.
Em minha obra existe uma preocupação com a cor, forma e equil=ibrio onde o tema fica em segundo plano e o desenho subordinado à cor (na pintura o desenho deve simplesmente ser suporte).
Quando pinto, o meu dia a dia é transposto para o quadro de maneira subjetiva e simbólica. A minha figuração é universal, não se detendo no particular, que considero enquanto pintura pobre e mesquinha."
Olinda, 30 de maio de 1979
Depoimento do pintor
http://www.art-bonobo.com/catalogo/arcoverde/index.html
Jairo Arcoverde inventa si mesmo na hora de criar sua arte. O artista pernambucano, que inaugura hoje no Museu do Estado uma retrospectiva de 45 anos de careira - Visões de um paraíso transfigurado, sempre desenvolveu sua obra a partir dos próprios instintos. "Acho que os cursos de pintura são uma bobagem. Ninguém se torna um pintor aprendendo. Eu nunca quis assistir a aulas, pois acho que isso atrapalha a criatividade", provoca.
"Procuro ser o mais livre possível. Ponho pra fora coisas que não têm nada a ver com algo que já exista", acredita Jairo. Suas criaturas e formas abstratas são como palavras visuais de um alfabeto que ele mesmo criou, mas que podem ser livremente interpretadas e compreendidas por quem as olha. "Meu espírito é de luz", justifica o homem de olhos verdes, ao explicar porque seus quadros têm cores tão luminosas, sem sombras.
(...)
http://www.pernambuco.com/diario/2008/05/20/viver1_0.asp