Postado
por
Ivan Maurício
em 10/07/2007 19:13
JOÃO FURIBA (1)
Capa do livro "Furiba falando a verdade", de João Furiba, Editora Coqueiro, 2005. Xilogravura de Abraão Batista.
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Poeta popular, violeiro-repentista, João Batista Bernardo, o João Furiba, nasceu a 04/07/1931, em Taquaritinga do Norte. Iniciou a carreira ainda na adolescência.
Considerado um dos grandes repentistas nordestinos, já arrebatou mais de trinta troféus em festivais de violeiros, tendo conquistado por 13 vezes o primeiro lugar nesse tipo de competição.
O apelido de "Furiba", que segundo ele representa coisa sem importância", foi dado pelo repentista Pinto do Monteiro.
http://www.pe-az.com.br/biografias/joao_furiba.htm
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CAPÍTULO I
MEU NASCIMENTO
Nasci no dia 4 de julho de 1931, no sítio Bomba d'Água, de Serra de Cachoeira, no município de Taquaritinga do Norte, no Agreste Pernambucano.
Minha mãe lavava roupas à margem do rio quando, num repente, eu vim ao mundo. Muito nova e inexperiente minha mãe correu assustada para casa.
- Mãe! disse à minha avó - Acho que abortei na beira d'água!
Minha avó correu para ver e encontrou-me, do tamanho de um preá, ainda envolvto na placenta. Pegando-me com cuidado, levou-me para casa julgando que eu estivesse morto.
Quando fiz alguns movimentos, procuraram agasalhar-me melhor. Encubadeira não havia. Com os restos de algodão da roca, embrulharam-me e colocaram-me numa caixa de sapatos.
Minha mãe chamava-se Inácia Correia Lemos e, meu pai, Manoel Bernardo de Santana.
Espalhou-se a notícia que Dona Inácia parira um filho de 3 meses, mas, as mulheres experientes diziam que eutinha 7 meses.
Corriam os boatos e as pessoas para me verem, e eu lá na caixa sobrevivendo.
Minha mãe alimentava-me tocando a minha boa com mel de abelha. E eu aguentando.
Vinham muitos curiosos ver a caixa do menino. Uns apostando em mim e outros contra.
Com dois meses de nascido fui levado à pia batismal, recebendo o nome de João Batista Bernardo.
Nesses dois meses escapei de ser comido por uma coruja, a qual, junto à caixa, julgava-me um fihote de punaré. Minha mãe tacou-lhe o cabo de vassoura.
Fui crescendo. Emperrado, mas, crescendo. Aos dez meses já caminhava.
Muita gente achava que eu era feio, muito diferente do moço bonito em que me transformei. Aos três anos eu já pesava 5 quilos.
Entrei no jardim da infância aos 5 anos e, com 7 já assinava o nome e fazia bilhete para os colegas.
Com 8 anos já ajudava meu pai na roça e pastorava o gado do meu avô Bernardo Xavier de Santana. Como recompensa gasnhei uma garrota.
Corria o ano de 1940 e eu já me interessava por cantoria. Gostava de ouvi-los cantar e decorava os versos mais bonitos.
Quando havia oportunidade, pedia para meu pai chamar os poetas para cantarem lá em casa.