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Postado por Ivan Maurício em 01/10/2007 22:01

KLÉVISSON VIANA (1)
CANGACEIRO
Xilogravura: Antônio Klévisson Viana (Quixeramobim - CE)
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QUEM É KLÉVISSON VIANA

''Tô indo como Deus quer'', e emenda numa gaitada, tirante ao relincho satisfeito de um jegue cardão. É Klévisson Viana, poeta e cartunista nascido em Canindé, responsável pela renovação de uma das mais engenhosas criações populares: o cordel. Através da Tupynanquim, Klévisson publica autores contemporâneos e reimprime os mais famosos títulos de folhetos, que fizeram a fama de poetas, xilógrafos e editores durante os anos de 30 a 50. Os mais novos lançamentos são Iracema, cordelizado por Alfredo Pessoa de Lima e reeditado para comemorar os 140 anos do romance de José de Alencar, e uma caixa com 12 folhetos de Leandro Gomes de Barros, nascido também há 140 anos.

O Romance de Iracema vem com dois tipos de capa, em amarelo e em papel reciclado, todo ilustrado e com o histórico do autor, o poeta e advogado paraibano Alfredo Pessoa de Lima. ''A coisa mais maravilhosa deste folheto é que é extremamente atencioso ao romance de José de Alencar'', repara Klévisson. A caixa de Leandro Gomes de Barros vem com os folhetos Juvenal e o Dragão, O Testamento do Cachorro, Meia noite no cabaré, A sogra enganando o diabo, A vida de Pedro Cem, A vida de Cancão de Fogo, Casamento e divórcio da lagartixa, O cavalo que defecava dinheiro, O cachorro dos mortos e A Donzela Teodora, além do folheto sobre a vida do poeta, O pioneiro da literatura de cordel, por Klévisson Viana (texto e xilo da capa). Os folhetos podem ser adquiridos nas livrarias Livro Técnico, nas lojas da Ceart e pontos de venda da Praça do Ferreira (banca de informações turísticas), e na banquinha do Dragão do Mar. ''Desde que o Centro foi fundado, a gente tá por lá''.

O xodó por cordéis começou cedo, relata Klévisson. ''Desde menino véi que compro folhetos. Me enchia de folhetos nas festas do Canindé. Eu trabalhava de vendedor ambulante. Nas romarias, vendia imagem de santo, tercinhos, bijuterias. No inverno, vendia bombom. Hoje não tenho só a maior coleção de folhetos mas de folclore. São 286 livros, verdadeiras raridades que eram do escritor Barros Alves. Ele não quis vender pra ninguém, só pra mim. Só que meu dinheiro tava mais curto do que coice de barrão. Ele pediu 'tanto', eu disse, dou a metade, que era pra ele desistir... Me pegou na palavra, tive que comprar''. No balaio, ''tudo'' de Câmara Cascudo, Leonardo Mota, Silvio Romero, Alceu Mainardi, Juvenal Galeno, Catulo da Paixão. ''Só os fracos''. (...)

O gosto que começou na infância tem antecedentes familiares, lembra Klévisson. O bisavô, seu Fitico, era primo do cantador Jacó Passarinho, ''aquele da famosa peleja com o Cego Aderaldo, registrada em livro por Leonardo Mota. E minha vozinha, mãe de meu pai, Alzira de Sousa, já era uma colecionadora e leitora de folhetos. Contaminou meu pai com este gosto. Meu pai tentou se tornar um cantador - é improvisador de mão cheia - mas nunca foi incentivado pela família. Papai é poeta mas nunca publicou nada. Sempre tem uma estrofe, uma glosa na ponta da língua pra receber as pessoas. Ele tem um caderno, com as coisas que ele escreve. Qualquer dia, roubo aquele caderno''.