LEONARDO MOTA (1)
LEONARDO MOTA , folclorista dos maiores que já tivemos, era taquígrafo. Usou a taquigrafia para recolher tudo que podia do nosso folclore.
Leonardo Mota conseguiu registrar, pela taquigrafia, muitos dos improvisos de Sinfrônio, afamado cantador-violeiro cego do Ceará, inclusive algumas disputas entre ele e outros cantadores célebres do interior cearense e nordestino.
Cantadores (1921), Violeiros do Norte (1925), Sertão alegre (1928), No tempo de Lampião (1930), Prosa vadia (1932) e muitos artigos publicados na imprensa fazem parte do acervo literário de Leonardo Mota.
No livro "Adagiário Brasileiro", coletânea de frases colhidas pelo Brasil afora por LM, assim o descrevem Moacir Mota e Orlando Mota, filhos do folclorista: "Em anos seguidos de intermináveis e exaustivas andanças, cruzou e recruzou o Brasil, vendo, ouvindo, observando e anotando, atento a todas as manifestações da alma popular. Fez obra de autêntico bandeirismo nacionalista."
Leonardo Mota nasceu no dia 10 de maio de 1891, um domingo, às 7 horas da manhã, na vila de Pedra Branca, Ceará. Morreu no dia 2 de janeiro de 1948, em Fortaleza, na sua residência, de um colapso cardíaco.
O legado de Leonardo Mota é tão rico, que assim recomenda Luís da Câmara Cascudo (outro grande folclorista) a Orlando Mota, filho de Leonardo:
"Não mexe em nada do que o teu pai escreveu. Orlando, Orlando... O que o Leota fez está feito e é sagrado."
"Em 1921, Leonardo Mota é recebido por Rui Barbosa, que o ouve longamente sobre os seus estudos folclóricos, e para quem Leonardo Mota recita versos e conta anedotas sertanejas. Também o Presidente da República, Epitácio Pessoa, o recebe na intimidade do seu lar, ao lado da família e de amigos. Leonardo Mota fala sobre poesia e linguagem do sertão do Ceará." (Adagiário Brasileiro, pág. 33)
"Em 1924, faz outra viagem aos sertões caririenses em busca de material folclórico e pronunciando conferências. Visita desta vez o Crato, Juazeiro, Barbalha, Ingazeiras, Missão Velha, Senador Pompeu, Aurora..."
‘‘Nasci para viver de lápis em punho, a registrar as inconfundíveis maneiras de falar dos sertanejos de meu país’’, explicava-se ‘‘Leota’’, como o chamavam os amigos e como ele assinava os seus artigos no ‘‘Correio do Ceará’’.
‘‘Violeiros do Norte’’, um de seus livros , foi premiado pela Academia Brasileira de Letras, o que garantiria a Mota o título de ‘‘Embaixador do Sertão’’.
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