Postado
por
Ivan Maurício
em 22/02/2008 08:22
LUIZ BANDEIRA (1)
Compositor pernambucano, nascido em dezembro de 1923, morreu em pleno domingo de carnaval, em decorrência de doença cardíaca. Foto: Arquivo/DP
Dez anos sem o mestre Luiz Bandeira
Academia Pernambucana de Música homenageia o autor de frevos famosos como Quarta-feira ingrata e Voltei, Recife no Memorial de Medicina
Aline Feitosa
Da equipe do Diario
O dia 22 de fevereiro de 1998 caiu em pleno domingo carnaval. Exatamente às 18h, um dos maiores compositores pernambucanos, com boa parte de suas obras dedicadas ao frevo, sofria uma angina. Luiz Bandeira, nascido em 25 de dezembro de 1923, tinha um coração frágil, mas uma verve criativa que lhe rendeu reconhecimento como um dos principais mestres da música popular brasileira. Na próxima segunda-feira, a Academia Pernambucana de Música presta uma homenagem póstuma, às 16h, no Memorial de Medicina, bairro do Derby, com a presença de alguns companheiros musicais, como os maestros José Menezes, Edson Rodrigues e Duda.
Homem de muitos amigos, com uma vida social intensa, Luiz Bandeira se recolhia para criar. Não é à toa a existência de poucos parceiros musicais em sua carreira. Até mesmo o amigo inseparável Nelson Ferreira jamais conseguiu assinar uma composição sequer com Bandeira. "Nelson adorava tocar Quarta-feira ingrata. Tocava tanto que muita gente achava que a música eradele. Um dia, Nelson disse a Bandeira que aquele frevo deveria ser dele. Bandeira prontamente disse: então é seu. Pode ficar!", conta sob risadas a viúva de Bandeira, Iracema, 84 anos, sobre o desprendimento e bom humor do marido. Entre os poucos parceiros que Bandeira teve, ela lembra de nomes como Manoel Malta, Ernani Seve, Luiz Antônio, Evandro Rabelo e Reinaldo de Oliveira. "Eles mandavam a letra e ele musicava" conta.
Quarta-feira ingrata e Voltei, Recife são os frevos mais conhecidos de Luiz Bandeira, "mas muitos devem ter ficado perdidos", diz a viúva, explicando que o marido não escrevia suas obras, "guardava tudo de cabeça". Quando estreou na carreira artística, em 1939, em um programa de calouros da Rádio Clube, Luiz Bandeira já tinha feito diversas músicas. E não eram só frevos. Marchas, cirandas, valsas, sambas faziam parte de sua rotina, principalmente quando partiu para o Rio de Janeiro, onde ganhava a vida como artista da Rádio Nacional, onde projetou-se como compositor. Chegou a ser crooner degrupos vocais e se apresentva em boates bem freqüentadas, como a do luxuoso hotel Copacabana Palace. Bandeira foi produtor, compôs jingles comerciais e até baiões, como Onde tutá, Neném, que ganhou o mundo na voz de Luiz Gonzaga.
Ainda nos anos 50, estourou com o sucesso Na cadência do samba, também conhecida como Que bonito é, que tornou-se símbolo do futebol- arte brasileiro, mesmo sem ter sido composta com essa intenção. Luiz Bandeira viajou pela Europa e chegou ao Japão em 1977 para participar do Festival Internacional da Canção, com a música Bia. "Ele gravou uns três LPs, fora os compactos. Acho que morreu como um artista reconhecido por seu valor", diz Iracema, que com Luiz Bandeira teve três filhos homens. Nenhum deles fez da música profissão. "Ele dizia aos meninos que vida de artista era muito ingrata, que não valia a pena", conta a viúva, que retornou com o marido do Rio de Janeiro para o Recife no ínicio da década de 80, logo após sair a aposentadoria de Luiz Bandeira. O Memorial de Medicina, que fará homenagem ao compositor, fica na Rua Amaury de Medeiros, 206, Derby.
http://www.pernambuco.com/diario/2008/02/22/viver2_0.asp