Postado
por
Ivan Maurício
em 22/02/2008 18:13
LUIZ BANDEIRA (2)
A capa do disco de Luiz Bandeira gravado em 1991 (Reprodução)
Luiz Bandeira foi embora, num domingo de Carnaval, para não mais voltar. Todos continuarão, por muitos anos, a cantar o seu conhecido frevo-canção, Voltei Recife, um grito de saudade que ele mandou do Rio de Janeiro em 1959. Todos, exceto ele; que hoje vaga por outros mundos….
Nascido na atual Avenida Santos Dumont, no Rosarinho, em 25 de dezembro de 1923, Luiz Bandeira foi iniciado na carreira musical por sua mãe, Elizabeth Mendes Bandeira. A Dona Lili, como recordava ele: “um misto de doceira e professora de piano”.
Em suas conversas recordava com saudade de Marieta, uma espécie de mãe adotiva, responsável pela sua ligação com às Alagoas. Lá, durante as férias, iniciou-se na música nordestina, assistindo, nas feiras e praças de Maceió, as apresentações das bandas de pífanos, emboladores, cocos e pastoris.
Em 1939, no programa Valores Desconhecidos, dirigido por Abílio de Castro, no Rádio Clube de Pernambuco, ingressou para a vida artística. Anos depois já fazia sucesso com o conjunto vocal Garotos da Lua, ao lado de Inaldo Vilarim, Ernani Reis, José Rabelo, Madeirinha e Djalma Torres. Em 1942 ingressava como cantor na Orquestra de Nelson Ferreira e, depois de uma curta temporada no Rádio Jornal do Commercio (1948-50), transferiu-se para o Rio de Janeiro onde permaneceu até 1984.
No Rio integrou a Orquestra do Copacabana Palace, participou das revistas do Valter Pinto, e logo foi contratado para Rádio Nacional. Em 1951, fez sucesso nacional com o baião Torei o pau, gravado por Manezinho Araújo, seguido de Baião sacudido (1954), em parceira com Humberto Teixeira, e do samba O que os olhos não vêem, gravado no ano seguinte pela Continental. Em 1955 compôs Na cadência do samba, conhecido pela letra do seu primeiro verso, “que bonito é!…”, e divulgado no cinema nas transmissões esportivas do “Canal 100”. Em 1958 foi à vez de O apito no samba, que veio receber letra de Luís Antônio e tornou-se uma espécie de vinheta musical da “Cidade Maravilhosa”.
Em parceria com Djalma Ferreira, nas noites da Boate Drink, fez sucesso a partir de 1962 com os sambas Agradeço a você, Volta (gravado por Miltinho) e Eu voltei.
A partir de 1976 participou da produção do disco do ano de Luiz Gonzaga, o “Rei do Baião” que voltara às paradas, tendo composto: Carapeba (com Julinho) e Fulô da Maravilha (RCA 107.0240); Onde tu tá Neném e São Francisco0 do Canindé (com Julinho), em 1977 (RCA 107.0265); Mamulengo e O Maquinista e o sacristão, em 1980 (RCA 103.349); Portador do amor (com Julinho), em 1981 (RCA 103.0404).
A saudade da terra natal, porém, sempre foi uma constante na sua obra, dando lugar ao aparecimento de Bom danado, frevo em parceria com Ernani Seve (1954); Maria Joana, baião (1952); Espera Maria, com Alberto Lopes (1954); Forró do Cafundó, com João do Vale (1956); É de fazer chorar, sucesso absoluto em todo fim de carnaval (1957); Recado à Olinda, gravado como samba em 1958; Voltei Recife, sucesso permanente (1959); Novamente, frevo canção (1967); Linha de frente, vencedor do Frevança em 1979.
Em 1984, Luiz Bandeira voltou de vez para o seu Recife. Integrando-se à vida artística local, procurou resgatar sua obra com a publicação dos discos, Voltei Recife (Polydisc 512.404.117), em 1985, e Como sempre fui - 50 anos de vida artística (Intuição - 804.405), em 1991.
No final do ano de 1997, ele foi escolhido por Fernando Luiz da Câmara Cascudo para ser homenageado pelo Serviço Social da Indústria - Sesi, com o CD Luiz Bandeira - sua música e seus amigos (Seleto - 199.003.058). Numa seleção do próprio autor, direção musical de Edson Rodrigues, responsável pela excelência dos arranjos, esta jóia a discografia dos nossos dias reúne o que tem de mais expressivo da obra deste Grande de Pernambuco: Sedução; Novamente; Sonhando Recife (com Reinaldo Oliveira); (...)
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