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Postado
por Ivan Maurício
em 18/03/2008 18:28
LUÍS JARDIM (2)
Capa do romance "O Quinze" da escritora Rachel de Queiroz, com ilustração de Luís Jardim. Edição de 1957.
Luís Inácio de Miranda Jardim nasceu em Garanhuns, no dia 8 de dezembro de 1901.
Era filho do professor Manoel Jardim e de Angélica Aurora, com quem aprendeu em casa o ABC.
Em 1909 ingressou na escola Raul Pompéia do professor e primo Arthur Brasiliense Maia.
No ano seguinte, assistiu a passagem do cometa Halley na cidade, que viveu um "grande alvoroço", muitos pensando que o mundo ia se acabar.
Em 1911 presta exames na escola Raul Pompeía e é aprovado com um simples cinco.
No ano seguinte, abandona o estudo formal para sempre e começa a ler tudo que lhe cai nas mãos.
Em 1913 trabalha no comércio e no ano de 1914 escuta interessado as conversas sobre a segunda guerra mundial.
Abandona o trabalho em 1916 e passa a ficar "desocupado".
Em 1917, um choque. Acontece a Hecatombe de Garanhuns, uma chacinha provocada por motivos políticos que vitimou dentre outros seu pai.
Desolado, deixa a cidade e vai viver no Recife.
Na capital trabalha como balconista, estuda inglês com um amigo e conhece Alice, que seria sua futura esposa.
Em 1928 conhece Gilberto Freire, de quem se tornaria amigo.
E é a pedido do sociólogo que escreve seu primeiro artigo em jornal, uma "Análise Estética da Pintura", publicada na "A Província", em 1929.
Casa com Alice em 1930, expõe seus trabalhos de artista plástico no Rio e em São Paulo, em 36, e escreve seu primeiro livro, "O Boi Aruá", em 1937, recebendo o prêmio de literatura infantil do Ministério da Educação.
Escreve depois "O Tatu e o Macaco", também premiado e em 1949 edita "As Confissões do Meu Tio Gonzaga, um romance para adultos.
No ano seguinte faz uma incursão ao teatro, com o texto "Isabel do Sertão".
No ano de 68, Luís Jardim escreve uma de suas obras mais elogiadas, o livro "Proezas do Menino Jesus", com o qual recebeu o prêmio da Academia Brasileira de Letras. Foram edições sucessivas, com direito a prefácio e estudo de Tristão de Athayde, um dos maiores intelectuais do país.
Ainda escreveu "As Aventuras do Menino Chico de Assis" (1971), "Meu Pequeno Mundo" (1977), "Façanhas do Cavalo Voador" (1978) e "O Ajudante de Mentiroso". O livro de contos "Maria Perigosa", reeditado em 1981, sob o patrocínio da prefeitura de Garanhuns, é de 1938.
No centenário da cidade, em 1979, a prefeitura afixa uma placa comemorativa no prédio que serviu de residência a Luís Jardim; em 1990, o município cria o espaço cultural que leva o nome do escritor.
Quando da reedição de "Maria Perigosa", do cententário de Garanhuns e da inauguração do Espaço Cultural, na Avenida Santo Antônio, várias homenagens são programadas aqui na cidade e no Recife, mas ele se recusa a participar de todas elas.
Temina por se enclausurar em seu apartamento no Rio de Janeiro, não mais participando de eventos ou festas de qualquer natureza.
Morreu no dia primeiro de janeiro de 1987, dormindo em casa, em paz, e deixando uma obra que não deve ser esquecida. |