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Postado por Ivan Maurício em 06/11/2007 20:15

MANOEL BANDEIRA (1)
MANOEL BANDEIRA (pintor)

Semira Adler Vainsencher
Pesquisadora do Instituto de Pesquisas Sociais da Fundação Joaquim Nabuco.

O pintor Manoel Bandeira nasceu no engenho Limoeirinho, no município de Escada, Estado de Pernambuco, no dia 2 de maio de 1900. Ele assinava o seu nome como M. Bandeira ou Manoel com a letra o, no sentido de marcar a pequena diferença em relação ao nome do poeta, também pernambucano, Manuel Bandeira. Era um indivíduo humilde, prudente e simples, extremamente ligado às raízes recifenses. Sobre si mesmo, ele dizia:

"Não tive mestres. Aprendi a pintar assim como o aprendiz de
barbeiro aprende a cortar cabelo: vendo o mestre trabalhar.
A pintura - a aquarela, por exemplo - comecei a fazê-la olhando os
quadros, bem como o bico-de-pena. Apesar de não seguir escolas,
tenho grande admiração pelos pintores espanhóis,
de Grieco até Ignácio Juruaja".

Manoel Bandeira começou a pintar em 1912, no Liceu de Artes e Ofícios. Em se tratando de técnica, ele costumava desenhar com bico-de-pena e tinta nanquim ou estilete - no caso dos trabalhos sobre papel gessado -, além de elaborar pinturas com aquarela, guache e óleo. O artista plástico elaborou também um rico acervo sobre a arquitetura do Brasil Colonial: reproduziu sobrados, telhados, portões das chácaras, grades, janelas, ruas, casas, sótãos, praças, lampiões a gás, mocambos, carruagens, cais, pessoas com seus trajes da época, vendedores ambulantes, enfim, uma paisagem cultural, todo um documentário sociológico e histórico de uma região e de seus habitantes, em distintos momentos de sua evolução.

Bandeira desenhou uma série de personalidades:Joaquim Nabuco , Maurício de Nassau, Vidal de Negreiros, Dom Pedro I, Dom Pedro II, Felipe Camarão, Dom João VI, Frei Caneca, Henrique Dias, o Conde dos Arcos, Estácio Coimbra, Gervásio Pires Ferreira, Oliveira Lima, Barreto de Menezes, João Fernandes Vieira, entre tantas outras.

Documentou inúmeros municípios nordestinos, também, através dos seus trabalhos: Recife, Olinda, Goiana, Paulista, Cabo, Jaboatão, Abreu e Lima, Camaragibe, Moreno, São Lourenço da Mata, Palmares, Ribeirão, Goiana. Neste sentido, Manoel Bandeira desenhou em bico-de-pena o Palácio Episcopal de Olinda, as ruínas do Forte de Gaibu, o Forte de Pau Amarelo, o Convento do Carmo, em Goiana, a Matriz da Boa Vista, a Igreja de Santa Cruz, no Recife, as igrejas Nossa Senhora de Boa Hora, São Sebastião, a Basílica do Carmo, o Mosteiro de São Bento e o Seminário, em Olinda, as ruínas da Fortaleza de Tamandaré, os municípios de Serinhaém e Itamaracá no período da dominação holandesa e a Igreja de São Pedro dos Clérigos, no Recife.

O artista desenhou ainda uma série de ilustrações do folclore nordestino para o livro Lobishomem da porteira velha, do folclorista Jayme Griz; as cidades Ouro Preto, Congonhas, Vila Rica, Sabará e São João d'El Rei, no Estado de Minas Gerais; o Castelo de São Jorge, Alfama e Mouraria, o Elevador de Santa Justa e a Torre de Belém, em Lisboa; vinhetas em miniatura representando cabeças de anjos, igrejas, janelas, lampiões, cadeiras, bem como capitulares, iniciais, entre outros.

O poeta Manuel Bandeira, grande fã do Manoel Bandeira pintor, assim escreveu sobre ele no jornal Diario de Pernambuco: "Xará, o batuta é você". Pouco ambicioso do ponto de vista material, o artista era empregado da Pernambuco Tramways, hoje Celpe, e viveu apenas com o salário que recebia como desenhista profissional, e de algumas ilustrações que fazia para livros e jornais.

Quando uma vez lhe perguntaram por que não se mudava para o Sul do País, para poder triunfar na arte e ter uma vida melhor, o pintor respondeu de imediato: "porque não posso levar meu Recife e sem ele não posso viver".

Manoel Bandeira faleceu no dia 3 de março de 1964. (...)