MARCELO DÉDA (3)
Em 1982, na primeira eleição do PT, Déda é lançado candidato a deputado estadual. Estava com 22 anos e obteve apenas 300 votos. "A prática mostrou que a política não era tão fácil assim. Não basta você ter certeza da sua verdade, é preciso que as outras pessoas acreditem nela".
Entre 1980 e 1981, Déda foi aprovado em concurso para trabalhar no CREA (Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura). Dividido entre o trabalho, os estudos, a militância política e a família, ele reduz significativamente sua militância no Movimento Estudantil, saindo do DCE e passando a atuar no CONSU (Conselho Universitário) e no CONEP (Conselho de Ensino e Pesquisa). "Foi a primeira vez que ocupei uma cadeira num ‘parlamento'", diz brincando.
Em 1984, explodiu a campanha das Diretas. Naquele momento, Marcelo Déda ingressou no processo de mobilização e começou a participar de comícios em todo Estado. Para ele, o Brasil descobriu nessa campanha que era possível fazer política com alegria, sem ódio. No dia 26 de fevereiro de 1984, um comício reuniu mais de 30 mil pessoas em Aracaju com as presenças de grandes nomes da política brasileira como Lula e Ulisses Guimarães.
Déda é pai de quatro filhos, sendo três filhas (Marcela, Yasmim e Luísa), do primeiro casamento, e o caçula, João Marcelo, fruto de sua união com a repórter-fotográfica, Eliane Aquino, primeira-dama do Estado, que sempre marcou sua atuação pela defesa dos direitos das crianças e dos adolescentes menos favorecidos. No Governo de Sergipe, ela é responsável pelo Comitê de Políticas Públicas Integradas, que cuida da integração dos projetos na área social.
Déda e o sonho de um Sergipe Novo
Em 1985, acontecem as eleições para prefeito em Aracaju. A conjuntura política da época foi determinante para que o PT resolvesse lançar Marcelo Déda, aos 25 anos de idade, candidato a prefeito de Aracaju. Todos os dias, às 11 horas, ele saía para fazer o horário eleitoral ao vivo por conta das dificuldades financeiras. "A lei me facultava fazer ao vivo, então eu ia cru, pregava uma bandeira com durex e estava pronto o cenário do ‘ao vivo'. Aquilo que era uma desvantagem virou uma vantagem porque me transformei no âncora do programa eleitoral, comentando criticamente o programa dos meus adversários".
A campanha decolou. Segundo Déda, era impressionante a quantidade de jovens em busca de material do partido. Com apenas 5 mil cartazes e um Passat, funcionando como carro de som, vários atos e caminhadas foram realizados. Marcelo Déda conquistou o segundo lugar nas urnas com aproximadamente 19 mil votos, levando petistas e não-petistas à passeata de comemoração pelas ruas da cidade.
Um ano depois de concorrer pela primeira vez nas eleições municipais, Marcelo Déda é eleito deputado estadual com mais de 32 mil votos. Em 1990, quatro anos depois da votação estrondosa, Déda conseguiu apenas 10% disso e não se reelegeu. Em 1994, porém, voltou às campanhas eleitorais e candidatou-se à Câmara Federal, sendo eleito deputado com 26 mil votos, o último de uma bancada de oito. A reeleição veio em 1998 com 83 mil votos, a segunda maior votação proporcional do Brasil.
Na Câmara Federal teve atuação destacada, com grande presença nos debates e inserção na mídia nacional, chegando à liderança da bancada do PT e do Bloco de Oposição.
Em 26 de maio de 2000, Marcelo Déda ingressa no processo eleitoral como candidato a prefeito de Aracaju, sendo um dos últimos colocados nas pesquisas. Contudo, a campanha decolou e Déda começou a crescer nas pesquisas, ganhando a eleição ainda no primeiro turno, com 52,80% dos votos válidos, ao lado do então vice-prefeito Edvaldo Nogueira.
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