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Postado
por Ivan Maurício
em 16/05/2007 08:41
MARINÊS (6)
A cantora Marinês: trajetória em defesa dos autênticos ritmos nordestinos (Foto: Thiago Gaspar).
GENTE ORFÃ
A morte da cantora pernambucana Marinês, em Recife, na manhã de segunda-feira, deixou órfã a música nordestina. Marinês tinha 71 anos
Inês Caetano de Oliveira nasceu em São Vicente Férrer, Pernambuco, em novembro de 1935. Sempre cantou, mas com 10 anos resolveu ir à rádio de Campina Grande, cidade paraibana aonde sua família se mudara. Para se esconder do pai, disse que seu nome era Maria Inês. Na pressa do radialista, acabou virando Marinês, nome que a acompanhou ao longo de quase seis décadas. Quatro anos depois, estava casada com o sanfoneiro Abdias dos Oitos Baixos. Nos anos 60, Chacrinha chamou seus músicos de ´sua gente´.
Marinês e Sua Gente ganharam o Nordeste do Brasil, quase sempre anunciando as apresentações de Luiz Gonzaga, que conheceu no município sergipano de Propriá. No repertório, o forró, em suas variações rítmicas. De uma delas, veio o título de Rainha do Xaxado. Gravou seu primeiro compacto em 1956. Os vínculos com Gonzagão foram permanentes, com Marinês e sua indumentária real: o gibão e o chapéu de vaqueiro com que Seu Lua formou sua imagem.
Segundo o pesquisador musical Ricardo Cravo Albin, Marinês era ´uma voz encorpada e cálida, uma presença exuberante e um repertório que só inclui as vísceras do Nordeste´. Atuou no cinema e cantou sucessos como ´Pisa na fulô´ (João do Vale, Ernesto Pires e Silveira Jr.), ´Xaxado da Paraíba´ (Reinaldo Costa e Juvenal Lopes), ´Aquarela nordestina´ (Rosil Cavalcanti), ´Meu Cariri´ (Dilu Melo e Rosil Cavalcanti), ´Balanço da Saudade´ (Antonio Barros e Silveira Jr.), ´História de Lampião´ (Onildo de Almeida), ´Gírias do Norte´ (Jacinto Silva e Onildo Almeida), ´No terreiro da Usina´ (Zé Dantas), ´Xote de Pirira´ (João do Vale e José Batista) e muitas outras. Em 98, veio o álbum ´Marinês e sua gente´, produzido por Elba Ramalho, com várias participações especiais.
A Rainha do Xaxado estava internada desde o último dia 5, no Hospital Real Português, em Recife, após sofrer um acidente vascular cerebral, em Caruaru. ´Na véspera do dia das mães, ela teve aquela ´melhora da morte´, como se diz. Tiraram ela da UTI e ela passou o Dia das Mães com a gente, ainda meio molinha. Ela ficou consciente até meia-noite. Às duas horas, começou a sentir mal. E às três sofreu a falência cerebral´, descreveu seu filho, Marcos Farias, na tarde de segunda-feira, durante o traslado do corpo para Campina Grande, onde foi sepultado na manhã de ontem. O forró perde muito da sua autenticidade. A gente de Marinês está ainda mais triste.
HENRIQUE NUNES
Repórter
Despedidas em Campina Grande, Natal e Fortaleza
A despedida de Marinês se deu em clima de muita comoção, após seu corpo ser velado durante toda a noite, no Teatro Municipal Severino Cabral, de Campina Grande. Houve um cortejo em carro do Corpo de Bombeiros. Marinês foi sepultada às 10 horas, com honras de chefe de estado, no cemitério Parque da Paz. O governo da Paraíba e a prefeitura da cidade (onde ela se apresentaria no dia 2 de junho, nos festejos de São João) decretaram luto oficial.
A última apresentação em Fortaleza, cidade onde escolheu viver durante cinco anos, no período de 2000 a 2005, inclusive para estar mais perto de seus dois filhos, foi no reveillón do ano passado, no Kukukaya. Marinês voltou a animar sua gente, ao lado des Waldonys, Dominguinhos e de seu filho, o também acordeonista Marcos Farias. “Ela estava com o astral bom à beça, cantou muito, fez forró e até uma música do Roberto que ela gostava muito, terminando o show: ´Força Estranha’”, conta seu empresário, Juraci Júnior.
A forrozeira, que em determinados momentos de sua carreira incluiu em seu repertório temas mais jocosos como “Só gosto de tudo grande”, estava com um álbum duplo quase pronto, conforme Marcos Farias. (...)
"Diário do Nordeste", 16/5/2007:
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