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Postado por Ivan Maurício em 10/02/2008 10:46

MARIO CÂNCIO (2)
O REGENTE PATRIMÔNIO DE OLINDA

por Ana Paula Gomeze - 15/04/2005

O histórico e popularmente conhecido Casarão Rosa localizado no complexo de Salgadinho, onde funciona o Centro de Educação Musical de Olinda, abriga o coração de um homem que teve origem humilde, viajou por vários países do mundo seguindo o caminho da música, para então retornar e tornar mais acessível a todos, a arte de ouvir, combinar e dar vida aos sons.

Mario Câncio Justo dos Santos, carinhosamente e reconhecidamente chamado por todos de Maestro, é fundador do CEMO e vem, há 23 anos, acrescentando à cidade Patrimônio conhecimento profundo em música, técnica, experiência, bondade e humildade.

Nasceu em Recife, mas passou a morar em Olinda com três meses de vida. Desde criança teve uma vida estudantil muito intensa. Foi ensinado pelos pais a encarar os estudos com muita dedicação e responsabilidade. “Não tive muito tempo para brincar”, lembra com uma certa gratidão, pois atribui isso ao fato de ter conseguido superar as dificuldades financeiras e hoje poder estar em uma posição que o possibilita ajudar outras pessoas.

A música entrou na vida de Mario Câncio como uma melodia que começa suave e progressivamente vai se intensificando. No período em que cursava o fundamental I (1ª a 4ª série), na escola Paroquial Carlos Gonçalves da Igreja Católica São Judas Tadeu, iniciou os primeiros contatos com o mundo musical. Como um menino travesso e curioso brincava, escondido do padre, com as teclas e os sons emitidos pelo piano da igreja.

Paralelo aos estudos, Mario fez escotismo e foi nomeado pelo governador Agamenon Magalhães, chefe de Escotismo de Olinda da tropa Escoteira Duarte Coelho. Ainda na mesma ocasião, ingressou na Orquestra Sinfônica do Recife, levado pelo seu criador e maestro principal, Vicente Fittipaldi. Pouco tempo depois sua dedicação e talento foram logo reconhecidos e ele foi nomeado professor auxiliar. Esse foi seu primeiro emprego, com 15 anos de idade. Tocava fagote, clarinete e sax.

Apesar de todo seu envolvimento com a música, o pequeno musicista demorou a ter um instrumento por conta da vida humilde que levava até então. Só veio ter o gosto de possuir seu primeiro instrumento musical aos 25 anos, um fagote que guarda até hoje, presenteado pelo governador Etelvino Lins.

Ele não sabia, mas dois anos mais tarde, em 1954, sua vida ia começar a mudar por completo. Na ocasião, Mario participou de um concurso do Ministério da Educação e Cultura (MEC) que daria ao vencedor uma bolsa da Comissão de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (CAPES), para estudar música no Conservatório Nacional Superior de Música de Paris. O concurso foi presidido pelo compositor brasileiro Heitor Vila-lobos, que percorreu vários estados do País em busca de talentos.

Mario foi selecionado, abraçou a oportunidade e partiu para França. Lá passou cinco anos sempre se empenhando com as lições da infância de aproveitar ao máximo o tempo e as oportunidades. Além dos estudos no Conservatório de Paris, Fez vários cursos de extensão e aperfeiçoamento, em Siena na Itália, Salzburg, na Áustria dentre outras. Totalizando, a paixão pela música e a vontade de aprender sempre mais, levou o musicólogo por nove países da Europa e três da América.

Estudou também por dois anos no Conservatório Internacional de Música e Arte dramática de Versailles. Foi lá que recebeu dois dos principais prêmios de sua vida estudantil. O Premier Prix ( primeiro prêmio) e o Prix D’honneur (prêmio de honra). (...)

Em Paris, tornou-se regente da Orcheste de Chambre International (Orquestra Internacional de Câmara) e através de movimentos de política estudantil foi eleito delegado cultural e integrante da comissão do Centre Culturel Internacional de la cité universitaire/Sorbonne. (...)