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Postado
por Ivan Maurício
em 27/11/2007 10:36
MESTRA EDITE DIAS (1)
Por Prof. Cacá Araujo
Dona Edite é incansável. Figura numa constelação de mestres e brincantes que tiram seus dias na séria brincadeira de animar a alma do povo, de vivificar a esperança, de desenvolver a auto-estima e dar “sustança” ao espírito através da tradição, de organizar o povo em torno da luta e da festa comunitária em busca da dignidade.
A Mestra Edite reúne no grupo A Gente do Coco da Batateira mulheres de 48 a 77 anos, dançando coco de roda de toeira com o vigor, juventude, destreza e resistência. Elas já são avós e bisavós. Encenam um espetáculo primoroso, cujas coreografias, marcadas por pisadas e voltas em roda, contagiam e evidenciam o belo herdado dos nossos ancestrais negros e influenciado pelos ameríndios. É a reteatralização da festa, uma releitura da mestra Edite, inspirada no trabalho e regada a cantigas.
Agricultora, já intercalou sua profissão com as atividades de costureira, auxiliar de serviços no Posto do antigo SANDU, professora do MOBRAL, atendente de gabinete odontológico nas escolas Juvêncio Barreto e José Alves de Figueiredo. Ainda vive, ou melhor, sobrevive, da agricultura e da aposentadoria de seu Vavá, sustentando filhos, netos e afilhados. É rendeira no Sítio São Gonçalo em Crato, e paga uma saca de legumes por tarefa de terra cultivada.
Nascida em 6 de agosto de 1940, no Município de Bom Conselho-PE, filha de José Dias de Oliveira e Salvelina Ferreira de Oliveira, chegou ao Crato, CE, em fevereiro de 1969, e desde então mora no bairro Gisélia Pinheiro (Batateira). Participa ativamente de movimentos comunitários e sociais. Liderou lutas da comunidade, mutirões para construção de casas e arrecadação de cestas básicas para famílias carentes. Integra a associação de moradores de seu bairro, o Conselho Municipal das Mulheres e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais. É, também, membro-fundadora da Fundação do Folclore Mestre Eloi, compondo seu Conselho de Mestres do Saber Popular.
A Mestra Edite, com sua sabedoria e liderança, mostra que envelhecer é muito mais que criar rugas. E que o coco é de quem o sabe dançar !
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