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Postado por Ivan Maurício em 13/01/2008 09:40

CD O FREVO DO MUNDO
Maestro Spok integra o elenco que recria 14 frevos de bloco e de rua Foto: Tiago Lubambo / Pick Imagem / Divulgação

Frevo do mundo amplifica gênero musical Lançamento // CD produzido pelo selo pernambucano Candeeiro reúne músicos e arranjadores da cena do Recife e convidados ilustres.

SRenato L
Da Equipe do Diario

O frevo vai receber um presente especial na noite de 28 de janeiro. Essa é a data agendada para o show de lançamento do CD frevo do mundo, projeto do selo pernambucano Candeeiro que coloca lado a lado músicos e arranjadores da cena do Recife, maestros renomados como Duda e Spok e convidados do porte de Edu Lobo e João Donato. Eles recriam 14 frevos de bloco e de rua, entre composições tradicionais, assinadas por feras como Capiba e Nelson Ferreira, e material menos conhecido, mas de igual relevância.

Essa não é a primeira vez que a Candeeiro organiza um tributo em forma de disco capaz de unir reverência e recriação. Em 1999, o selo colocou nas lojas a elogiada coletânea Baião de viramundo, onde as bandas locais, junto com convidados do Sudeste, revisitavam o repertório de Luiz Gonzaga. Dessa vez, é um gênero fundamental da música pernambucana (e brasileira) que fica em primeiro plano.cer esse material clássico. Mas é bacana dar um frescor a composições que sempre são executadas em um formato muito próximo do original", explica Marcelo Soares, que divide com Pupillo (Nação Zumbi) a direção artística do projeto e a gestão da Candeeiro.

Para garantir o frescor, eles gravaram primeiro as bases dos artistas e bandas. Em seguida, o material foi enviado aos maestros encarregados dos metais. Isso forçou uma saudável contaminação do background contemporâneo dos primeiros sobre a formação mais tradicional dos seus parceiros. Marcelo Soares e Pupillo também sugeriram boa parte das recriações: "no caso de João Donato, enviamos 25 canções e aí ele escolheu Fogão, de Sérgio Lisboa", conta Marcelo. Houve casos, no entanto, onde o convidado tomou a iniciativa. O Mundo Livre escolheu o único frevo de extração recente, Metendo Antraz (de Laercio Guedes), comentário bem-humorado sobre a guerra ao terror de Bush. E Edu Lobo, apesar das sugestões para cantar algo do pai, preferiu o frevo nº 1 do Recife, de Antonio Maria.

Parte dos convidados assume com mais fervor a liberdade estilística proposta pelos produtores. São experiências que ora quebram o tradicional compasso binário, ora destacam instrumentos e timbres pouco usuais no gênero, ora entortam melodias consagradas. Estão nesse time regravações como a do Eddie (É de fazer chorar, de Luiz Bandeira), Cordel do Fogo Encantado (Saudade, dos Irmãos Valença) e a já citada do Mundo Livre. As inovações ampliam sua ressonância quando se nota - como destaca o texto do jornalista Alessandro Soares na parte interna da capa - que os frevos de rua e de bloco "raramente experimentam novos caminhos. Em geral, se conserva em apitos e bumbos".

Abordagem mais discreta, aqui, não significa, entretanto, falta de criatividade ou aceitação passiva do cânone. Edu Lobo acelera Antonio Maria com doses equivalentes de rigor e criatividade. O piano do mezzo acreano mezzo carioca João Donato preenche Fogão com um suingado toque jazzy. Os demais convidados não-pernambucanos, também não decepcionam, especialmente a Orquestra Imperial, que homenageia Nelson Ferreira com uma regravação de O dia vem raiando embalada pelos vocal suave de Rodrigo Amarante.

Falar de "crise do frevo" é um lugar-comum que, em si, já é uma tradição. frevo do mundo, felizmente, não tem a pretensão de resolver esse suposto impasse estético. Seu barato é outro: mostrar, outra vez, que o cânone e a inovação não são inimigos mortais. Friccionar os dois não só é possível como sempre desejável. Do alto dos seus 100 anos, o frevo agradece#

http://www.pernambuco.com/diario/2008/01/13/viver8_0.asp