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Postado por Ivan Maurício em 02/10/2007 14:44

XILOGRAVURA: A ARTE DA GRAVURA EM MADEIRA
Xilogravura do escritor Euclides da Cunha por Erivaldo Ferreira da Silva.


ADRIANA KLISYS


Esta técnica de impressão consiste em gravar imagens numa madeira mole (cajá, imburana, cedro ou pinho) com instrumentos cortantes (goiva, faca, formão, buril). Pronta a matriz, pode-se repetir a impressão tantas vezes quando se quer.

A arte da gravura vem de longa data, de origem desconhecida. O que sabemos por meio de documentação histórica é que desde o século I, na Ásia, podemos encontrá-la. O livro Diamond Sutra, impresso na China no ano de 868, registra a mais antiga gravura encontrada. No ocidente, a gravura é encontrada desde o final do século XIV.

Estas primeiras impressões foram feitas utilizando-se uma técnica semelhante à da xilogravura, prensando folhas contra tábuas gravadas e tintadas. Tal método foi amplamente adotado na Europa para a reprodução de gravuras de imagens de santos e baralhos e como recurso para imprimir páginas de texto e livros.

XILOGRAFIA NORDESTINA GANHA O MUNDO

No Brasil, a gravura, a princípio, tinha uma finalidade considerada menor. Como na impressão em larga escala de rótulos de cachaça e outros produtos. Mas, certamente, sua popularidade cresceu quando passou a ser integrada na literatura de cordel, devido à falta de recursos gráficos que os autores de cordel enfrentavam.

Segundo o pesquisador holandês Joseph Luyten (1941- ), as xilogravuras só aparecem nos folhetos de cordel a partir da década de 1940, ganhando maior força nos Estados de Pernambuco e Ceará. Em Caruaru (PE) houve uma inovação nessa técnica de reprodução de imagens, realizada por Dila (José Ferreira da Silva), que criou a linogravura (gravura em borracha).

Na década de 1960, a xilogravura nordestina ganhou projeção nacional e internacional, fruto da valorização por parte de pesquisadores e intelectuais interessados nessa expressão artística.

ARTISTAS DA GRAVURA

No Brasil diversos gravuristas nacionais e estrangeiros destacaram-se e ainda se destacam nessa arte: Carlos Scliar (1920-2001), brasileiro; Evandro Carlos Jardim (1935- ), brasileiro; Fayga Ostrower (1920-2001), polonesa; Gilvan Samico (1928- ), brasileiro; Lasar Segall, (1891-1957), lituano; Lívio Abramo (1903-1992), brasileiro; Marcelo Grassmann (1925- ), brasileiro; Maria Bonomi (1935- ), italiana; Oswaldo Goeldi (1895-1961), brasileiro; Yolanda Mohalyi (1909-1978), húngara.

Atualmente vários são os xilógrafos de cordel que continuam produzindo enumeramos:
Abraão Batista (em Juazeiro - CE); Ciro Fernandes (no Rio de Janeiro - RJ); Dila, o José Ferreira da Silva, (em Bom Jardim, PE); J. Borges (em Bezerros - PE); José Costa Leite (em Condado PE); Marcelo Alves Soares (em São Paulo - SP); Minelvino Francisco Silva (em Itabuna - BA); Severino Gonçalves de Oliveira (em Recife - PE).

J. Miguel, filho do renomado gravurista J. Borges, vem cada vez mais aprimorando o conhecimento passado de geração a geração. E nesta matéria, bem como na capa da revista, podemos apreciar seu trabalho.

http://www.avisala.org.br/revista.asp?idRevistaTexto=90