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Postado
por Ivan Maurício
em 19/03/2007 08:31
ZEDANTAS E A AUTORIA DE "ASA BRANCA"
A família do compositor José de Souza Dantas, o Zedantas (sem acento e pegado, era assim que ele gostava de ver gravado seu nome), já cumpriu sua parte do acordo para não polemizar sobre a autoria de músicas estabelecido entre ele, Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira (advogado, arrecadador de direitos autorais, político, poeta e compositor cearense).
A parte ética já foi cumprida com rigor desde o momento em que os três, ainda em vida, fizeram um pacto de não falar, em público, sobre o assunto: a verdadeira autoria de grandes sucessos como "Asa Branca" e "Juazeiro", atribuídos a dupla Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, mas que na verdade são criação exclusiva de Zedantas.
A família de Zedantas cumpriu, com disciplina e respeito à memória dos três artistas, o compromisso ético. E, também o financeiro. As músicas são executadas e regravadas até hoje e rendem bom dinheiro em direitos autorais. Agora, não é compreensível o silêncio da família de Zedantas no que diz respeito a verdade histórica. O Brasil inteiro precisa saber que é da autoria de Zedantas, e apenas dele, as músicas "Asa Branca" e "Juazeiro".
Zedantas nasceu no dia 27 de fevereiro de 1921 em Carnaíba, na época distrito de Flores, e faleceu no Rio de Janeiro em 11 de março de 1962.
Médico obstetra diplomado em 1949. No ano seguinte, seguiria para o Rio de Janeiro.
Ainda estudante, no Recife, em 1946, Zedantas conheceu Luiz Gonzaga no bairro do Pina. Zedantas mostrou suas músicas a Luiz Gonzaga, que ficou encantado. E lhe entregou seis composições, entre elas, duas adaptações do folclore: "Asa Branca" e "Juazeiro".
No Rio de Janeiro, Luiz Gonzaga registrou, em parceria com Humberto Teixeira, as gravações de "Asa Branca" (1947) e "Juazeiro" (1949).
Conforme relata no livro "Baião de Dois: Zedantas e Luiz Gonzaga" a escritora Mundicarmo Maria Rocha Ferreti:
"Zedantas ao encaminhar a ele (Luiz Gonzaga) suas primeiras músicas, queria apenas vê-las gravadas, autorizando-o inclusive a registrá-las como suas, pois temia a reação de seu pai ao ver o nome do filho num disco. (...) Aquela autorização não dava direito a Humberto Teixeira aparecer ao lado de Luiz Gonzaga como parceiro."
Em 1949, Zedantas concluindo o curso de Medicina foi para o Rio de Janeiro para fazer sua residência médica. Conforme me revelou Dona Iolanda Simões, com quem Zedantas casou em 1954 e lhe dedicou um de seus grandes sucessos "A Letra I", ele percebeu que como estagiário do Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro recebia menos doque o rendimento dos direitos autorais de "Asa Branca" e "Juazeiro" que faziam enorme sucesso.
A partir de 1950, Zedantas não aceitou mais "dividir" a autoria dos seus sucessos com Humberto Teixeira. Nesse ano, Luiz Gonzaga gravou, oficialmente, a primeira em que Zedantas aparece, de fato e de direito, como autor: "Vem Morena". Mesmo assim, generosamente, Zedantas permitiu que Luiz Gonzaga assinasse "Vem Morena" como parceiro.
E assim sucederam-se outros grandes sucessos como "A Volta da Asa Branca" (1950), "A Dança da Moda" (1950), "Cintura Fina" (1950), "O Xote das Meninas" (1953), "A Letra I" (1953), "Algodão" (1953), "Olha a Pisada"(1954), "Noites Brasileira" (1954), "Sabiá" (1955), "Paulo Afonso" (1955), "Derramaro o Gai" (1956) e "Siri Jogando Bola" (1956).
Com a decisão de Zedantas em não permitir que Humberto Teixeira assinasse a autoria de suas músicas, a relação entre os dois - que faziam o programa "No Mundo do Baião" em emissora do Rio de Janeiro - ficou estremecida.
Luiz Gonzaga usou de muita habilidade e promoveu um encontro de Humberto Teixeira e Zedantas no seu sítio em Mangaratiba. Lá, como revelou Dona Iolanda, os três firmaram um pacto de não mais falar sobre a verdadeira autoria de "Asa Branca" e "Juazeiro" através da imprensa.
NO PRÓXIMO POST: ZEDANTAS INICIA CARREIRA SOLO.
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