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Postado por Ivan Maurício em 22/04/2007 23:43

2007: CEM ANOS DA XILOGRAVURA (2)
CARIRI É BERÇO PARA NOVOS XILOGRAVURISTAS

Juazeiro do Norte. Desde a Tipografia São Francisco até a Lira Nordestina, nomes de grandes poetas a artistas das matrizes em madeira, uma escola de novos artistas. Nomes como Walderêdo Gonçalves, Manoel Caboclo, Expedito Sebastião da Silva, entre os mais antigos.

Segundo o professor Renato Dantas, veio depois uma geração intermediária. Nomes como Stênio Diniz, Abraão Batista, Francorli, José Lourenço, Cícero Lourenço e tantos outros pegaram carona na velha escola. A Lira Nordestina continua a incentivar novos talentos e inspirar projetos.

Um dos exemplos desse trabalho é o xilógrafo José Lourenço Gonzaga. Há 22 anos está na Lira. Chegou por meio de seu avô, Pedro Luiz Gonzaga, que trabalhava na guilhotina. Recebeu incentivo de Expedito Sebastião da Silva. José Lourenço chegou a escrever dois cordéis e está finalizando o terceiro, mas a sua especialidade mesmo é a xilogravura. Será um dos xilógrafos do Brasil a levar o seu trabalho para expor na Universidade de Brasília (UNB), no centenário da xilo. Serão expostos 18 trabalhos.

“Quando Expedito morreu, em 1997, ficamos desorientados, sem um coordenador, sem gerente nem salário. O professor Gilmar de Carvalho deu força à gente, incentivando a produção de xilo”, lembra. Se já eram poucos trabalhando no local, José Lourenço resistiu. Foram grandes dificuldades. As exposições pelo País foram importantes para divulgação do nome da Lira. A gravura da xilo em azulejos foi uma das alternativas criada pelos astistas para sobreviver.

Já o xilógrafo Francisco Correia Lima, conhecido como Francorli, irá para países da Ásia e Europa. Uma exposição de dois meses por países estrangeiros divulgará, inclusive na China, onde tudo começou, o trabalho do artista.

A Lira Nordestina volta a respirar com novos talentos. O projeto Sesc Cordel foi responsável pela reativação das velhas máquinas, em 1998. Em cada remessa, 1000 cordéis. Todos com a marca da xilo. Em 2000, nasce em Juazeiro, advindo do movimento iniciado pelo Sesc Cordel, A Sociedade dos Cordelistas Malditos. São quatro títulos lançados bimensais.

"Diário do Nordeste", 22/4/2007:

http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=426584