AMILTON ROCHA (1)
Amilton Rocha, o ponta do drible fácil
ARQUIVO DE CHUTEIRAS
A mais recente geração de torcedores do futebol cearense não teve a oportunidade de ver jogando o ex-ponteiro Amilton Rocha. Nem conheceu o seu ofício. O de ponta-direita. Hoje, os pontas não existem mais, porém, para quem viu suas atuações nos gramados, certamente a memória ainda não apagou seu drible fácil e a velocidade.
Quem visitar a residência de José Amilton Cavalcante Rocha, hoje com 53 anos, no Jockey Clube, certamente terá muitas histórias para ouvir. A maioria delas de glórias e conquistas. “Se tive mágoas ou ressentimentos no futebol, nem me lembro. As alegrias e os títulos conseguiram ser bem mais numerosos”, constatou o ex-ponteiro.
INÍCIO - Sempre se espera de um jogador que ele vá passando por diversas categorias até chegar ao estágio profissional. Com Amilton foi diferente. Ele saiu, com 17 anos, direto do juvenil para o profissional, sem atuar nas categorias inferiores. Filho de Caucaia, ele foi levado para o Fortaleza em 1970, onde passou três meses treinando e logo assinou seu primeiro contrato de profissional. Não precisa dizer que o técnico Moésio Gomes já tinha colocado os olhos no futebol do ponta.
Agregado dos juvenis aos profissionais, Amilton despontou em 1971, sob a orientação do técnico Carlos Castilho. Numa excursão do Fortaleza a Goiás, Amilton se destacou e não saiu mais do time titular.
TÍTULOS - Um talento nato como o de Amilton não poderia ter outro caminho senão o de títulos. Ele lembra com carinho o campeonato arrastão de 1973, ganho numa decisão com o Ceará. “O jogo foi para a prorrogação e marquei o gol da vitória”, recorda. Este foi o cartão de apresentação para a sua carreira. Seguiram-se outros triunfos: um campeonato Norte-Nordeste, dois vice-campeonatos (71 e 72) e o estadual de 1985, pelo Tricolor de Aço.
SAÍDAS - Aos poucos, foi ficando difícil segurar o veloz ponta do Tricolor e ele começou a ter suas experiências em outros clubes.
A primeira delas foi no Santa Cruz, onde disputou o Campeonato Brasileiro de 1972. Ele foi emprestado ao Santa juntamente com o seu eterno companheiro Louro. Havia um entendimento perfeito entre eles. “O futebol dele se encaixou no meu, com um entrosamento muito grande”, completou. A empatia entre ambos serviu também para a vida extra-campo. (...)
FASE PAULISTA - No início do ano de 1974, o nosso craque teve o passe comprado pelo Guarani de Campinas, iniciando uma fase no futebol paulista, que posteriormente incluiu também o Palmeiras. Lá, ele conviveu com ídolos como Jorge Mendonça, Pedrinho e Ivo Wortman, o atual técnico. Antes do Palmeiras, Amilton Rocha foi para o Sport/PE, conquistando o Estadual de 1977. Ficou até o ano seguinte e transferiu-se para o Verdão. Em 79, retornou ao Santa e depois foi para o extinto Colorado/PR. Em 83, disputou o campeonato potiguar pelo América/RN. E em 84, regressou ao Fortaleza. Sua trajetória ainda inclui um campeonato pelo Leão em 85 e outro em 86, pelo Ceará. Jogou no Sampaio Corrêa/MA, encerrando a carreira no Ferroviário. Foi técnico do Fortaleza, Boa Viagem e algumas seleções do Interior. Hoje, Amilton trabalha num projeto social da Santana Têxtil, revelando talentos, que é coordenado por Chico Fraga e tem outros ex-atletas à frente, como Dalmir e Ronaldinho.
O então ponta Amilton Rocha nas suas andanças consegui fazer o seu pé-de-meia, e é casado com Gray Brasileiro há 26 anos, com quem teve três filhos.
Ivan Bezerra
"Diário do Nordeste", 1-5-2005